O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 30/07/2018

O psicológico ferido por ideal de beleza

Na obra “Ilíada”, o épico Homero expõe Helena de Tróia como o reflexo do padrão estético vivenciado pela sociedade Romana, na qual mulheres de peles alvas eram sinônimo de extrema beleza. É incontrovertível que tal padrão perdura no Brasil hodierno, gerando, por consequência, efeitos negativos que fazem da sociedade, vítima de um molde social de beleza que chega a ferir o psicológico, tendo como principal vetor a internet.

Em primeiro plano, é necessário compreender a internet como uma das principais consolidadoras da “ditadura da estética”. Essa expressão é de cunho pejorativo, utilizada para se referir a um molde cultural de beleza. Assim, com advento da internet e das redes sociais, os usuários são constantemente bombardeados por estigmas de corpos perfeitos, fazendo com que os que não se encaixam neste molde sejam ridicularizados, por meio cyberbullying, obrigando-os a entrar em uma corrida inalcançável pela conquista do padrão estético. Por conseguinte, nota-se o pior dos efeitos negativos dessa maratona: o prejuízo à saúde desse indivíduos.

Nesse contexto, é imprescindível reconhecer as doenças que são acarretadas pela corrida da beleza. Destarte, as pessoas que se encontram fora do estigma estético tentam a todo custo alcançá-lo desenvolvendo doenças físicas e psicológicas como a bulimia e a anorexia. Como ilustração desse triste quadro, o filme “O mínimo para viver’’ demonstra os entraves coniventes com a realidade da jovem protagonista que tenta superar a Anorexia. Em suma, esse fato reforça a necessidade do rompimento desse paradigmas impostos  há milênios.

Torna-se evidente, portanto, que medidas públicas são necessárias para alterar esse cenário. Em um contexto escolar, urge ao Ministério da Educação, promover palestras ministradas por profissionais da saúde, que visem ressaltar os malefícios causados pelos distúrbios alimentares. Além disso, o Ministério Público deve criar propagandas inclusivas de minorias que não são representadas pelos moldes estéticos, por meio das mídias tradicionais, afim de romper com esse padrão. Desse modo, será possível minimizar com um padrão estético retratado por Homero.