O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 02/08/2018

Conforme defenda a escritora Ana Paula, no livro “Beleza à venda”, a obra revela, por meio de histórias de vida, a face obscura da discriminação estética, que se incorporou de tal forma na sociedade de informação atual ao ponto de parecer invisível ou sem importância significativa. Nesse contexto, ao analisar a beleza corporal, é possível afirmar que, sobre ela, recai um “padrão”, uma vez que, jovens e adultos brasileiros estão à procura de um corpo perfeito. Diante disso, deve-se analisar como a mídia e a família geram a problemática em questão.

É relevante enfatizar, a princípio, que a mídia é a principal responsável por alienar a padronização de uma imagem corporal na sociedade. Isso ocorre devido à predominância de programas de televisão, revistas e jornais dedicando-se a espaços em suas programações cada vez maiores para apresentar novidades em setores de cosméticos, de alimentação e vestuário. Todavia, causa uma exclusão social de outras que não possuem esse perfil exigido pelo comércio. Prova disso é que, o filósofo Sílvio Costa, aponta que parte dessa necessidade de padronização veio a partir da proliferação da economia de mercado existente até os dias atuais. Dessa forma, os meios de comunicação podem influenciar a transtornos psicológicos, físicos e sociais.

Atrelando ao descaso da mídia, a família também é responsável pela problemática em questão. Posto que, de acordo com o escritor Augusto Cury, afirma que existe uma destruição emocional e psique de vários indivíduos da nossa sociedade, principalmente em crianças e jovens causadas pelos pais. Isso ocorre porque estão educando as meninas e os meninos para atributos mais estéticos e permitindo-se esquecer dos valores éticos. Assim, é comum, por exemplo, mães e pais oprimirem os seus filhos para seguirem um padrão de beleza causando um menor convívio social em ciclo de amigos por não conseguirem seguir essas regras. Logo, se sentem inferiores e comete suicídio por não aceitarem a própria aparência, o que ocorreu com uma menina irlandesa de 11 anos no ano de 2016.

Fica claro, portanto, que a mídia e a família geram a padronização corporal no país. Em razão disso, o Ministério de Saúde, em parceria com a própria propaganda, devem, nos meios de comunicação, propagar mensagens que mostrem à importância de quebrar o tabu da uniformização corporal na sociedade, bem como, criar debates e oficinas com psicólogos e psicanalistas. Outrossim, o Ministério de Educação juntamente com as escolas, deve criar debates com a participação dos pais e alunos para discutir a importância da autoaceitação, assim como, desenvolver o diálogo entre pais e filhos para que possam criar um ambiente confiável e com respeito com as diferenças existentes. Dessarte, a participação mútua da mídia e da família é essencial para essas metas sejam compridas.