O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 02/08/2018
A busca pela idealização do corpo ocorre desde a Antiguidade, na Grécia Antiga, cujo padrão de beleza era baseada na musculatura definida. Ao decorrer da história, esses padrões se mantiveram, como pode ser visto no Romantismo, cuja beleza feminina consistia na magreza. Em decorrência de uma herança história e ideológica, o culto à padronização corporal no Brasil é evidente e é influenciado pela globalização, o que leva a sérias consequências.
A priori, o capitalismo provocou diversas alterações na sociedade, uma vez que a globalização propiciou o encurtamento das distâncias e, com o advento da internet, foi possível a disseminação de ideais. Dessa forma, a sociedade brasileira passou a incorporar outras culturas, como pode ser visto no estrangeirismo linguístico e cultural e no culto ao corpo, claramente expresso em músicas, filmes, novelas e propagandas comerciais. Consoante a Karl Marx, a dominação ideológica tem o poder de criar uma visão falsa das coisas e convencer as pessoas. À vista disso, o sistema vigente induz ao consumismo, não só de mercadorias, como de ideias e estilos de vida, cuja busca incessante pelo corpo padronizado traz graves consequências para a sociedade.
Dessa maneira, o culto ao corpo é decorrente também de uma herança histórica, como pode ser notado no “Homem Vitruviano”, de Leonardo da Vinci, cujo padrão é a simetria e a proporcionalidade. Por conseguinte, essa necessidade de se encaixar e fazer parte de um grupo social, leva pessoas, principalmente jovens, que são mais vulneráveis, a buscarem alternativas arriscadas para alcançar o “corpo ideal” imposto pela sociedade. Nesse contexto, isso pode levar até à morte, como fora retratado pela imprensa o óbito de uma mulher que buscava no “Dr. Bumbum”, o glúteo “perfeito”. Ademais, podem ser desenvolvidos distúrbios psiquiátricos e alimentares, como depressão, bulimia e anorexia, o que se configura uma chaga social que precisa ser discutida, já que é um problema de saúde pública.
Para atenuar tal realidade, é preciso que o Ministério da Educação, aliado a sociedade, proporcione educação de qualidade à todos, com base no diálogo, discussões e palestras, com o objetivo de desconstruir o culto à padronização corporal no Brasil; além de trabalhar valores como respeito, auto-aceitação e alteridade, importantes para o convívio em sociedade e para modificar um pouco essa realidade. Adicionado a isso, o Ministério da Saúde, em conjunto com as Secretarias Municipais de Saúde deve disponibilizar uma equipe multidisciplinar, composta por psiquiatras, psicólogos, nutricionistas e assistentes sociais, a fim de oferecer assistência às pessoas que sofrem distúrbios psiquiátricos e alimentares, para que assim, elas possam voltar a se integrar à sociedade e ter uma vida normal.