O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 06/08/2018

Não são poucos os fatores envolvidos na discussão acerca do culto à padronização corporal no Brasil. Segundo Aristóteles, filósofo grego, a Eudaimonia é a meta da vida humana, ou seja, os indivíduos buscam atingir o potencial pleno de realização de cada um. Nessa lógica, a incessante busca por um corpo idealizado, frequentemente, faz com que as pessoas atravessem o perigoso limite entre estética e saúde. Logo, a fim de compreender o problema e alcançar melhorias, basta analisar os riscos do uso de fármacos para fins estéticos e da realização desnecessária e elevada de cirurgias plásticas.

Em primeiro lugar, vale ressaltar que a corpolatria é uma espécie de patologia da modernidade, caracterizada pela preocupação extrema com o próprio corpo no sentido narcisístico. Desse modo, o indivíduo insatisfeito com o respectivo corpo recorre à anabolizantes e emagrecedores, sem prescrição médica, com o objetivo de atingir o padrão corporal estimulado socialmente. Todavia, os efeitos colaterais são preocupantes, como distúrbios hepáticos, elevação da pressão arterial, infertilidade e formação de coágulos no sangue. Para ilustrar, em 2017, Mateus Ferraz, um jovem fisiculturista de 23 anos, faleceu na cidade de São Paulo após uso excessivo de anabolizante. Nessa perspectiva, contata-se, que as imposições estéticas provocam atitudes irresponsáveis e danosas ao bem-estar e à saúde.

Ainda nessa questão, é fundamental pontuar que, de acordo com a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica, o Brasil lidera, pela primeira vez, o ranking de cirurgias plásticas no mundo. Vale salientar que, isso advém, da busca desenfreada por um físico torneado e idealizado. Com isso, indivíduos ignoram seu biotipo e investem em procedimentos cirúrgicos arriscados. Para corroborar, uma bancária, identificada como Lilian Calixto, de 46 anos, morreu de embolia pulmonar após preenchimento nos glúteos com metacril, realizado pelo médico Denis Furtado, conhecido como “Doutor Bumbum”. Nesse contexto, nota-se conformidade com o ideal do filósofo Émille Durkheim, as padronizações em sociedade fogem à consciência individual e,por isso, são produtos da coerção social.

Nesse sentido, ficam evidentes, portanto, os elementos que colaboram com o atual quadro negativo do país. O Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (CONAR) deve, por meio de fiscalizações, regular o conteúdo midiático com maior rigidez, impedindo que haja a estipulação de padrões estéticos, com o objetivo de promover a diversidade corporal e viabilizar a auto-aceitação. É imprescindível, também, que o Ministério da Educação, por intermédio de palestras nas escolas com profissionais da área de saúde física, abordem o tema sobre o uso de medicamentos e realização de procedimentos cirúrgicos em razão de padrões sociais, explicando os riscos e as consequências, além de esclarecer que não há um único tipo de corpo padrão e que a diversidade é natural e admirável.