O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 08/08/2018
Em 2013, no Rio Grande do Sul, morre a jovem de 21 anos Daiane Dornelles, vítima de anorexia. A mesma preocupava-se em demasiadamente com a aparência e, rodeadas de fãs, postava em suas redes sociais a rotina composta por uma má alimentação e má qualidade de vida, porém, recebia milhares de elogios por ter um “corpo perfeito”. A notícia pode parecer pouco recorrente, mas retrata bem a problemática da busca pelo corpo ideal. Dessa maneira, é necessário discutir de que maneira esse pensamento perfeccionista atua na sociedade.
Primeiramente, a preocupação constante com a beleza externa é um fator intrínseco na espécie humana. Desde a antiguidade, os padrões de beleza encaminham pessoas para um contexto perturbador: a busca pelo corpo perfeito. Na Grécia Antiga, por exemplo, o corpo era alvo de desejos extremos por homens, os quais buscavam alcançar a perfeição a qualquer custo. Já na sociedade atual, a procura incessante continua, fazendo com que a vaidade torne-se a 4º maior economia do mundo, segundo relatórios do Bank Of América. Assim, percebem-se o quão recorrente é o pensamento que idealiza o corpo humano à perfeição.
Atrelado à essa busca incansável estão as implicações advindas da concepção extremas sobre o assunto: transtornos alimentares como a anorexia e bulimia – problemas psicológicos que atuam negativamente na saúde física e mental do indivíduo. Complicações que desarticulam toda a vida interna e externa do mesmo, levando-o a encarar momentos difíceis e que, muitas vezes, é aplaudido e/ou atacado por pessoas que enxergam apenas o superficial e idolatram o “corpo dentro dos padrões”. A realidade desses problemas é retrata no filme “O mínimo para viver” que conta a história de uma adolescente que trava uma luta diária contra a anorexia fazendo-nos refletir sobre as consequências desumanas dessa doença.
Para resolver os entraves causados pela obsessão do corpo perfeito é necessário realizar ações que atuem na prevenção e no combate. O Ministério da Saúde, em parceria com a mídia, devem organizar comerciais e programas que destinem-se para o corpo, salientando a aceitação dos tipos mais variados e a tentativa de descontruir o padrão de beleza existente, fazendo com que as pessoas analisem seus corpos e concluam que estes são normais e que não precisam muda-lo. Assim como, o Ministério da Educação em parceria com as escolas deve promover ações interdisciplinares entre as disciplinas Educação Física e Sociologia, para debaterem os problemas advindos da busca do corpo ideal e buscar evidenciar o apoio as possíveis vítimas destes, dando o suporte e auxilio necessário. Dessa forma, pode-se minimizar a problemática do culto imperfeito ao corpo perfeito.