O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 22/08/2018

No poema “O Retrato”, Cecília Meireles explicita todas as fases da vida humana, relacionada às mudanças físicas. A poetisa modernista descreve essas transfigurações como algo comum e que se tem que aceitar, pois é a condição natural da vida. No entanto, o padrão de beleza cultivado no século XXI vem tornando-se ainda mais inatingível e outorgável, sobretudo para as mulheres.

Nesse cenário, um dos vetores reside nos arquétipos sócio-culturais. No final do século XX, durante a Belle Époque, a imagem da mulher ideal era exposta e imposta, com vestidos enormes, extravagantes e cintas para modelar a cintura. Na contemporaneidade, a persistência do culto à imagem e a ditadura da beleza desguarnece muitas pessoas a sacrificarem aspectos próprios e naturais. Como substrato disso, percebe-se o aumento da prevalência de distúrbios alimentares, como anorexia e bulimia, que pioram a condição de vida e podem levar à morte.

Outro condutor dessa mazela recai sobre a mídia e seus meios de comunicação. Programas de TV, revistas, redes sociais veiculam uma imagem do “corpo perfeito”, que na verdade, é totalmente utópica. Todavia, muitas mulheres sentem-se instigadas a buscar aquele estereótipo para si, com o objetivo de conseguir estar nos “padrões”. O produto de tal assertiva é a alta exposição a procedimentos de demasiado risco, como cirurgias plásticas - tudo em nome da “beleza”.

Depreende-se, portanto, que há necessidade de uma reeducação cultural premente. Para isso, a escola tem papel fundamental, convidando psicólogos, para por meio de palestras e didáticas especiais, instruírem as crianças quanto a autoaceitação, afim de iniciar o tratamento desse problema desde a base, como prevenção. A mídia, também pode contribuir através de campanhas publicitárias, abordando a valorização de todos os estereótipos, para que auxilie na ruptura desse tabu. Logo, essa mazela será gradativamente vencida.