O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 14/08/2018
A Alegoria da Caverna, de Platão, proporciona uma reflexão sobre como a humanidade prioriza a aparência em detrimento da essência do ser.Na contemporaneidade, ainda persiste essa compreensão, que se personifica na questão do culto ao corpo.Com efeito, deve-se analisar as causas e as consequências da referida problemática, a fim de atenuá-la.
A priori, é válido enfatizar as razões para essa supervalorização da aparência.Segundo o sociólogo Émile Durkheim, existe uma consciência coletiva, que cria e impõe padrões, como o da beleza, para os indivíduos da sociedade.Tais paradigmas são incorporados por eles devida à crença em uma possível ascensão social e a clara necessidade de admiração do narcisista moderno.Contudo, de acordo com Kant, o conceito de belo é subjetivo e, por isso, não deveria ser normatizado como algo universal e obrigatório.
Em adição, convém salientar os efeitos dessa corpolatria .No poema “Mulher ao Espelho”, de Cecília Meireles, a autora expõe como a mencionada padronização cria um martírio para a vida do indivíduo.Dentre os distúrbios alimentares, os mais comuns são a bulimia e a anorexia, que prejudicam completamente o metabolismo da pessoa.Outrossim, ainda existem as doenças psicológicas acarretadas, sobretudo, pela baixa autoestima,culminando, por exemplo,em casos de depressão.
Fica evidente,portanto, a relevância do diálogo sobre o culto a aparência e de medidas que visem amenizá-lo.Diante disso, compete ao Ministério da Educação desenvolver, nas escolas, projetos sócio-educativos.Esses deverão abordar o tema com a presença de médicos para explicar sobre as consequências da corpolatria para a saúde pública.Ademais, cabe à mídia criar campanhas de sensibilização, que desmitifiquem os padrões outorgados pela sociedade, além de, por meio da ficção engajada, valorizar outras características estéticas para, assim, potencializar a essência humana,como preconizava Platão.