O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 23/08/2018

Durante a antiguidade grega, as principais manifestações de arte envolviam a exploração sobre as representações corpóreas, demonstrando características sociais e culturais de tal sociedade. Análogo a esse período, as expressões e busca por padrões estéticos na atualidade, demonstra a limitada capacidade social na aceitação da pluralidade estética, fomentando a busca doentia pela perfeição física.

Em primeiro plano, a supressão da saúde em detrimento a estética, torna-se impasse na resolução do problema. A esse respeito, o filósofo Michael Foucault explicita que as doenças da atualidade só são tratadas como tal, devido a legitimação social. Nesse sentido, a imposição do perfeccionismo estético mostra-se evidente na busca de procedimentos invasivos como cirurgias, visando a adequação aos padrões inalcançáveis da modernidade.

De outra parte, as contribuições tecnológicas influenciam na expansão do culto doentio a perfeição. Nesse viés, é notório que a disseminação do molde comportamental e físico amplificou-se com o uso de redes sociais, que destacam a vida perfeita de cada indivíduo. Dessa forma, tais fatores contribuem no crescimento dos índices de psicopatologias como anorexia e bulimia, levando o corpo ao extremo pela cegueira social na apreciação da beleza singular.

Fica claro, portanto,  que a forma como a sociedade reage a aceitação física, influencia diretamente na busca de soluções para a mesma. Assim, é necessária a ação do Ministério da Saúde no desenvolvimento de campanhas sobre os malefícios da busca por procedimentos extremos. Ademais, o Ministério da Educação e Cultura (MEC) pode desenvolver semanas de debates sobre o tema nas escolas públicas, visando o ensinamento sobre a imposição dos meios midiáticos. Procedendo, assim, uma sociedade verdadeiramente saudavel.