O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 21/08/2018
Fitness é uma palavra inglesa que significa estar em boa forma física. Adotada como um estilo de vida entre os indivíduos contemporâneos, ser fitness tornou-se comum entre jovens e adultos. Entretanto, um problema advindo dessa temática é o exagero na busca pelo corpo perfeito, fator que constitui hoje o desencadeador de vários transtornos tanto físico como psicológico. Dessa forma, analisar tal problemática de modo a contornar essa mazela social faz-se necessário.
Em primeiro lugar, é preciso ratificar que os anseios pelo corpo perfeito não são atuais. Na Grécia antiga, os corpos dos atletas eram altamente cultuados como sinônimo de beleza. Semelhantemente aos tempos antigos, essa tradição persiste não se limitando apenas aos coliseus, mas atingindo milhares através das mídias sociais que, pela sua grande influência controla e padroniza o conceito de belo. Dentro dessa lógica, o caso da estudante Julia Gabriele, vítima de ofensas e humilhações nas redes sociais devido a sua aparência física, mostra a necessidade de a sociedade superar os valores impostos por um padrão de beleza excludente.
Acresce-se a isso as consequências geradas a partir da padronização do conceito de beleza. Nietzsche com a teoria do super homem já dizia que o indivíduo não possui liberdade devido aos valores impostos socialmente, e que tais amarras deveriam ser diluídas. Nesse sentido, as fotos manipuladas e as mentiras por trás das telas dos celulares e das TVs, faz com que cada vez mais as pessoas se sintam frustradas ao não se encaixarem nesses padrões e consequentemente, propícias a desenvolverem psicopatologias, tais como os transtornos alimentares e a depressão.
Torna-se evidente, portanto, que os espelhos que estereotipam os corpos atuais devem ser quebrados. Para isso, é dever das novelas, comerciais e desenhos infantis valorizar as diferenças através de estilos pouco representados atualmente, utilizando do negro, modelos plus size, deficientes físicos entre outros. Ademais, as escolas e a família podem trabalhar com as crianças através de diálogos com o intuito de diluir esses valores. Acresce-se a isso a utilização de gibis e revistas em rodas de leituras que apresente a problemática de forma infantilizada e de fácil entendimento. Só assim, o país caminhará ao encontro da teoria de Nietzsche.