O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 30/08/2018

Supremacia endêmica

Noberto Bobbio é um filósofo político que conceitua em sua teoria, a existência de mecanismos presentes em cada grupo social que comandem a conformidade de comportamentos dos indivíduos.Essa circunstância reflete o panorama atual brasileiro, em que o materialismo do capitalismo unido à construção de identidades fragmentas da modernidade, faz com que o ser humano se torne refém de instrumentos de controle social.Dessa forma, com a estruturação de ideologias totalitaristas, sobretudo no meio estético, a sociedade perde um de seus principais características, a diversidade.

É imprescindível destacar, de início, o efeito destrutivo da formação de uma sociedade mecânica.Com  a adoção do capitalismo como modelo econômico houve uma supervalorização da materialidade em detrimento do ser.Sendo assim, esse pensamento interiorizou-se na mentalidade da população, o que causou a instauração do consumismo e da decomposição dos corpos em simples peças e partes que devem se adequar a construção estética dominante.Dessa maneira, os indivíduos perderam sua essência em vista de padrões de beleza autoritários de uma sociedade mecanizada.

Outrossim, além da superficialidade, a deficiente fragmentação do indivíduo moderno também contribui para a padronização.Sob a ótica de Stuart Hills, as identidades pessoais antes solidificadas, hoje na atualidade estão descentradas.Dessarte, essa instabilidade na construção identitária do sujeito hodierno acarreta em uma falta de pertencimento que coloca certas representações de beleza, evocadas pelas mídias sociais, como solução.Por conseguinte, determinados exemplos estéticos são adotados como obrigatórios na constituição da identidade de cada um. Assim, diferentes tipos de aparência são marginalizados tanto pelo grupo social através do bullying, como pelo própria pessoa com o autoflagelo ou transtornos alimentares.

Fica nítido, portanto, que assim como orquestra Noberto Bobbio existem instrumentos de controle social, em especial de beleza, mas esses mecanismos detém efeito danoso à variedade. Nesse prisma, é vital que a mídia televisiva efetue ficções engajadas como novelas que divulguem a pluralidade estética em conjunto com a criação de campanhas com ONGs ,relacionadas à propagação da diversidade da beleza, com o fito de arrefecer a consciência autoritária de perfeição física.Ademais, que o Ministério de Educação efetue palestras nas escolas sobre o autoconhecimento e a formação de identidades estéticas originais que desestimulem cópias não saudáveis de certos moldes, para arquitetar uma população liberta em sua aparência.Com esses atos, a supremacia estética endêmica, termo biológico referente à constante, irá caminhar ao desmembramento.