O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 05/09/2018

É fato que a padronização corporal existe desde a Antiguidade como, por exemplo, na Grécia, onde a população, adepta ao atletismo como filosofia de vida , adorava o corpo atlético e escultural representado em suas estátuas. Nesse sentido, não obstante, no contexto hodierno, tal padronização possui rumos mais intensos ao ponto de frequente obsessão majoritária feminina, a qual associada a fatores históricos e socioeconômicos e insuficiências governamentais provoca terríveis consequências psicológicas e físicas àqueles afetados. Tornando, desse modo, imprescindível ações interventivas.

Sabe-se que o vetusto sistema patriarcal detêm inúmeros reflexos na sociedade, sendo indubitável que a imposição de padrões de beleza é um deles, uma vez que, segundo seus princípios, a mulher deveria torna-se perfeita para o homem. Outrossim, de forma análoga ao ideário marxiano, o qual a economia determina a sociedade, o mercado da moda influencia a totalidade demográfica em como viver, ser e aparentar.

Por conseguinte, no Brasil, de acordo com uma pesquisa da Eldeman Inteligence, um total de 87% das mulheres sentem-se pressionadas a terem esse “corpo ideal”. Dessa maneira, milhares de indivíduos em uma busca incessante pelo “ideal” realizam procedimentos estéticos e dietas perigosas e acabam por sofrer com transtornos e distúrbios como depressão, ansiedade, anorexia, bulimia e vigorexia_ podendo, não rara vezes, terminar em óbitos por suicídio ou problemas de saúde.

Além disso, a falta da devida assistência psicológica e médica a essas pessoas e o descaso governamental é uma constante que corrobora, cada vez mais, para a resiliência da questão. E, junto a isso, nas instituições educacionais, que deveriam prover a base de valores morais aos jovens, pouco se comenta sobre o tema e, como também, carecem de suporte psicológico aos estudantes.

Mediante o exposto, fica claro a urgência da tomada de medidas interventivas, em conjunto, de vários setores da sociedade para parar a continuidade do impasse. Para  isso, é imperioso que a mídia use de sua defluência para “despadronizar a beleza” e conscientizar a população por meio da inclusão do tema em programas, dramaturgias e propagandas publicitárias. Ademais, é mister que o poder público disponibilize aperfeiçoe e intensifique a ação de equipes multiprofissionais, NASF( Núcleo Ampliado de Saúde da Família), nas unidades de saúde e escolas, como fito de garantir o direito constitucional de assistência a todos. E, por fim, como disse Immanuel Kant, " o home é aquilo que a educação faz dele", faz-se essencial a introdução e discussão da questão no âmbito educacional por meio de palestras, debates e projetos  educativos.