O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 03/09/2018

O filme “A pequena miss sunshine”, narra a história de Olive, uma garota que sonha em participar do concurso de beleza intitulado pequena miss sunshine. Ao decorrer da trama, ele se questiona em relação ao seu padrão corporal, hábitos alimentares, além da pressão da própria família quanto a vencer o concurso. Em paralelo com a ficção, no Brasil vivemos rodeados de padrões estéticos, impostos principalmente pela mídia, por meio de marcas, desfiles, personagens televisivos, os quais todos tem em comum a representatividade por um estereótipo magro e malhado, impondo a sociedade o culto do corpo “perfeito”.

De acordo com a pequisa “Há uma beleza nada convencional”, 83% das mulheres entrevistadas se sentem pressionadas a atingir a definição de beleza. Entretanto, pode-se fazer o paralelo da beleza do século 21, como um produto no qual a uma legião de clientes aguardando o próximo lançamento, já que as principais referências de beleza, encontram-se em veículos midiáticos, os quais a impõem como um padrão momentâneo. Em consequência, há pessoas que ultrapassam limites corporais, sujeitas a contrair transtornos alimentares ou mesmo a intervenções cirúrgicas não necessárias.

Outrossim, a busca por padrões estéticos por meio de procedimentos invasivos no Brasil, tem mostrado números alarmantes, conforme dados da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica, o Brasil está na segunda posição do ranking mundial. Tais intervenções em grande maioria das vezes são incentivadas pela mídia, por programas como “Dr. Hollywood”, que mostra pacientes pré e pós cirurgia satisfeitos. Por fim, tais procedimentos implicam riscos desnecessários a saúde, como recentemente aconteceu com a Youtuber Camilla Uckers, a qual fez uma intervenção cirúrgica que gerou complicações, sendo necessário a remoção da prótese e um longo período de reabilitação.

Portanto medidas devem ser tomadas para resolver o impasse. De acordo com Immanuel Kant “O ser humano é nada além daquilo que a educação faz dele”, sendo assim, cabe ao Ministério da Educação em parceria com psicólogos, elaborar uma série de palestras, abertas ao público, e ministradas em escolas públicas, abordando temas referentes a padrões estéticos, transtornos alimentares, risco de procedimentos invasivos, além de psicólogos de plantão para casos de aconselhamento profissional, a fim de esclarecer a população.