O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 03/09/2018
A série Switched da Netflix evidencia a sofrida realidade de uma jovem durante o ensino médio, por ser “gordinha” e, possivelmente, considerada fora dos paradigmas pregados entre seus colegas, a personagem Zenko era vilipendiada por eles diariamente. Além disso, a ficção também relata que a vítima recorreu a um ritual sobrenatural, para que pudesse trocar de corpo com a jovem mais bela cobiçada da escola, a Ayumi Kohinata. Dessa forma, Zenko conseguiu o que mais queria, um corpo que se enquadrava nos padrões da sociedade em que vivia. Outrossim, longe do campo fictício, percebe-se que existem sim, muitas “Zenkos” que, tentam de qualquer maneira se adequarem aos paradigmas das “Ayumis” e que, à vista disso, muitas vezes recorrem a procedimentos cirúrgicos arriscados à vida, tudo isso para que possam se equipararem aos modelos de beleza tão incentivados hoje, principalmente, pela mídia. Logo, são cabíveis ações governamentais, visando a enfrentar o impasse supradito.
Ademais, é sabido que a sociedade midiática prega a todo momento a perfeição corporal, nota-se em qualquer tipo de material produzido por ela, sobretudo, a beleza e a magreza e, por meio disso, a mídia enfatiza aos seus telespectadores que para se obter sucesso pessoal e profissional, é necessário, portanto, estar adéquo aos modelos supracitados. Além disso, no ano de 2014 a famosa Geisy Arruda afirmou em entrevista dada a TV Mundo Maior que, após entrar para o mundo televisivo, a cobrança pela imagem perfeita só aumentou, a medida em que Geisy trabalhava e ganhava dinheiro, ela usava para fazer procedimentos estéticos como cirurgia plástica para afinar o nariz e lipoaspiração.
Desse modo, é notório que além do que é incentivado pela mídia, o acesso aos procedimentos cirúrgicos estéticos se tornaram cada vez mais acessíveis, segundo o site R7.com, em 2015 a Barbie humana da Ucrânia, Valéria Lukyanova, efetuou uma cirurgia de retirada das costelas , para que assim, sua cintura pudesse ficar finíssima como a de uma boneca Barbie. Com isso, nota-se mais uma vez que tudo o que é produzido pela sociedade midiática e pelas empresas de consumo, conscientemente, induzem as pessoas a serem obcecadas por corpos perfeitos e que, à vista disso, elas não medem esforços para tentar alcançar os paradigmas - inalcançáveis de beleza - tão fomentados atualmente.
Destarte, é dever da mídia realizar campanhas publicitárias que orientem os seus telespectadores a não recorrerem a cirurgias apenas para fins estéticos, logo, desnecessárias, assim como introduzir em seus elencos, mais atores e atrizes de diferentes formas físicas, a fim de desmistificar que só se obtém sucesso profissional as pessoas magras e altas. Além do mais, é crucial dar ênfase que existem inúmeros tipos de beleza e, por conseguinte, salientar que o importante é cuidar da saúde, não se preocupando com os paradigmas impostos de forma errônea pelos diversos meios de comunicação.