O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 04/09/2018
Segundo a Mitologia Grega, houve um jovem na Grécia Antiga, cujo nome era Narciso, que possuía uma beleza estonteante, a ponto de atrair o amor da ninfa Eco, a quem ele desprezou, pois preferiu apaixonar-se pela sua própria imagem espelhada na água do lago, no qual morreu afogado em seu reflexo. Essa história, da civilização antiga, serve de alerta ao que ocorre atualmente no Brasil: culto à padronização corporal. Por esta causa, diversas pessoas, ávidas pelo padrão de beleza imposto pela sociedade, adquirem distúrbios alimentares e realizam cirurgias plásticas clandestinas.
Com efeito, o padrão estético vigente na sociedade brasileira pode ser considerado um fato social, que, conforme o sociólogo Émile Durkheim, exerce coerção sobre os indivíduos, e, no caso em questão, instiga a busca pelo corpo ideal, propalada recorrentemente pela mídia. Essa ditadura da beleza conduz, principalmente, mulheres a uma dieta alimentar rígida, que põe em risco a própria saúde, levando até mesmo à morte. Aliás, na corrida pela aparência perfeita, muitas pessoas adquirem transtornos alimentares, como anorexia e bulimia, de acordo com a nutricionista Patrícia Davidson.
Ademais, o culto ao corpo fomenta nos indivíduos o desejo de realizar cirurgias plásticas, com a finalidade de alinhar áreas do corpo ao padrão de beleza que a sociedade reconhece, endeusa e valoriza. Porém, como os procedimentos implicam no alto investimento financeiro, inúmeras pessoas buscam clínicas clandestinas e médicos não especializados, que oferecem serviços mais em conta. Entretanto, isso pode custar a vida do paciente, vide o caso da bancária Lilian Calixto, vítima do médico Denis Furtado.
Portanto, para diminuir os casos de distúrbios alimentares e cirurgias plásticas, em razão da padronização corporal, é essencial que o Ministério da Cultura e o Ministério da Saúde realizem campanhas educativas através da televisão, jornais, revistas e internet, que valorizem a diversidade étnica e corporal, e conscientizem a população sobre os danos à saúde física e emocional que a busca desenfreada pela beleza padrão pode causar, a fim de que as pessoas respeitem as feições, os limites e a idade do corpo.