O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 03/09/2018

“O importante não é viver, mais viver bem” segundo Platão a qualidade de vida tem tamanha importância de modo que ultrapasse a da própria existência. Entretanto, no Brasil, essa não é uma realidade para os indivíduos que busca a padronização corporal que, diante dos desafios enfrentados pela busca do corpo perfeito, apenas vivem, não necessariamente bem, já que, baseando-se em Ramón de Compoamar a beleza está nos olhos de quem a vê. Desse modo, ao invés de tentar aproximar a realidade descrita por Platão da vivenciada por estes indivíduos a mídia e as escolas acabam por contribuírem com a situação atual.

A princípio, é possível perceber que desde a arte medieval, na Grécia Antiga, já existia a beleza idealizada, a busca pelo corpo perfeito e um padrão de beleza através das pinturas e arquiteturas. Na contemporaneidade, entretanto, com o desenvolvimento das tecnologias de informação gerou um expressivo aumento da divulgação e da cobrança acerca dos modelos estéticos e do conhecimento de belo difundido pela média e absorvido pela sociedade - mulher magra e homem musculoso. Logo, a mídia acaba contribuindo para a situação atual do problema, o que dificulta a aproximação das duas realidades em questão.

Além disso, é importante pontuar, de início, a negligência acadêmica quanto a abordagem da temática. A guisa do pensamento Kantiano, o ser humano é aquilo que a educação faz dele, sendo diretamente influenciado pela sua formação estudantil. As escolas brasileiras, porém, ao se ausentarem sobre o debate das diversidades de beleza e da importância da aceitação pessoal, fomentam um comportamento da padronização corporal no país. Tal fato pode ser ratificado pela apatia do meio estudantil frente aos numerosos casos de bullying nas salas de aula relacionados aos padrões de beleza. Desse modo, a aproximação da realidade descrita por Platão com a vivenciada pelos indivíduos que busca padronização corporal é inviável no Brasil.

Torna-se evidente, portanto, a necessidade de uma tomada de medidas que faça a mídia e as escolas agirem de modo a aproximar estas duas realidades. Assim, às escolas, em consonância com ONG´s da área, deve orientar a população acerca da relevância da aceitação pessoal por meio de palestras e debates nas salas de aula, além de campanhas na internet para desconstruir os padrões criados e promover a diversidade de belezas. Outrossim, seria interessante a mídia desenvolver projetos de propagação da heterogeneidade estética existente no país por meio de propagandas educativas nos veículos de comunicação e telenovelas que abordem o tema a fim de superar os ideais de beleza. Só assim as pessoas que busca o corpo perfeito no Brasil não apenas viveram mais viveram bem.