O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 05/09/2018

Na obra “A República” (380 a.C.), o filósofo Platão idealiza uma organização política pautada em uma harmonia social completa, livre de conflitos e adversidades. Desde então, essa filosofia impulsionou o desejo das nações de alcançarem esse feito. Contudo, atualmente, o culto à padronização corporal tem afastado o Brasil na conquista desse objetivo. A partir disso, é válido analisar o aspectos sociais e políticos que envolvem esse fato.

De início, pontua-se que falta engajamento coletivo para se lutar contra a padronização da beleza. A explicação disso é que a sociedade não tem se organizado, de forma efetiva, para combater o culto ao corpo perfeito, uma vez que esse costume pode gerar distúrbios psicológicos na população que não atinge o físico julgado como ideal. Considerando as reflexões do filósofo Zygmunt Bauman para compreender esse fenômeno, percebe-se que o pessimismo da modernidade exerce coerção sobre as pessoas, fazendo com que elas permaneçam inertes diante de quadros negativos.

Ainda, ressalta-se que o governo mostra-se inerte ao permitir as consequências do culto ao corpo. Isso porque não tem um investimento específico nos hospitais públicos, que carecem de psicólogos e profissionais da área, fatores que impedem um tratamento adequado às pessoas que desenvolveram síndromes por causa da padronização corporal. Constata-se, desse modo, que o contrato social foi rompido, já que segundo o filósofo Thomas Hobbes, é dever do Estado manter o bem-estar de toda a coletividade.

Evidencia-se, portanto, que a padronização corporal deve ser evitada. Por isso, é importante a atuação da mídia socialmente engajada, em conjunto com o cidadão como agente social, promovendo propagandas e debates com profissionais sobre o mito do corpo perfeito, afim de estimular a criação de um senso crítico apurado na população sobre essa problemática. Também, é preciso que o Poder Executivo, juntamente com o Ministério da Saúde, aumente o investimento nos hospitais públicos, contratando equipes de profissionais especializadas, como psicólogos e psiquiatras, na intenção de garantir um tratamento que possa curar um indivíduo com distúrbios alimentares. Com isso, seria possível se aproximar dos ideais utópicos propostos por Platão.