O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 03/09/2018

A jornada pela liberdade já foi muito debatida quando tratava-se de política e economia. Todavia, percebe-se, hoje, a necessidade de discutir à prisão social a qual os indivíduos estão acometidos, a padronização corporal brasileira, não só fere a liberdade de um ser sobre seu corpo como também a saúde dos que sentem-se pressionados a seguir tais padrões.

Em primeiro lugar vale ressaltar a consonância do ideário de Rousseau com o atual cenário brasileiro. O ser, que nasce livre é acorrentado as estéticas tidas como essenciais. Tal futilidade, infelizmente, não só o prende por toda sua vida como também influi nele essa característica de julgador, que na verdade é uma mascara para um ser preconceituoso pronto para induzir no outro um corpo perfeito.

Em segundo plano, sob o ponto de vista de Locke, haveria quebra do contrato social, uma vez que o poder público falha com o cidadão no que diz respeito ao direito à saúde. A sociedade, que apesar de influenciar o culto à padronização corporal também é influenciada, sofre com inúmeras consequências, tais como a anorexia, bulimia, depressão e ansiedade. Aliado à essa problemática está o sistema único de saúde, que não atende essa demanda haja vista a falta de estrutura, medicamentos, aparelhos, e profissionais devido, principalmente, o negligente investimento no setor público de saúde.

Tendo em vista tais repercussões, portanto, cabe à mídia promover telenovelas que mostrem os diversos corpos que existem no Brasil e  a transmissão de debates com esta temática entre pessoas que sofreram as pressões de alcançar o corpo ideal, a fim de conscientizar os cidadãos de que não é necessário atingir um padrão para ser feliz. Outrossim, cabe não só ao governo quanto ao Ministério da Saúde maiores investimentos no SUS por meio da melhor distribuição e organização dessa renda, a fim de atender aqueles que sofrem com as doenças causadas pela insatisfação corporal.