O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 04/09/2018

Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgias Plásticas, o Brasil é o país que mais faz cirurgias plásticas no mundo, são mais de 90 mil procedimentos por ano. Diante disso, a busca por um corpo “ideal” é perigoso para a saúde física e psicológica do indivíduo, esse problema é gerado, principalmente, pela padronização da mídia e a atitude de manada que se espalha ente as pessoas.

A princípio, é necessário abordar os modelos de beleza criados pela industria cultural, impulsionados pelo processo de massificação das mídias a partir da década de 80, onde o corpo e o culto a beleza ganham mais espaço no meio midiático. Além disso, o surgimento de revistas, filmes, novelas e outros produtos ajudaram a propagar os ideias estéticos da época, a super exposição das grandes estrelas foi um fato importante para a criação de um padrão quase sobre humano. Corpo definido, cabelos bem cuidados, roupas e maquiagens de alto padrão eram o que, no imaginário coletivo, se tornou a definição de beleza e levou muitas pessoas a focarem todos os seus esforços em alcançar um objetivo quase impossível, um sonho que já nasceu frustrado.

Outrossim, nota-se que o público é muito influenciado por esses ideais impostos pela mídia, agindo de maneira semelhante para se incluir na tendencia. Homer Simpson, protagonista de “Os Simpsons”, disse “nunca diga nada a não ser que tenha certeza de que todo mundo pensa o mesmo”. A frase do personagem pode se relacionada como pensamento do filósofo prussiano Friedrich Nietzsche, que define essa atitude como o comportamento de manada, uma situação em que indivíduos em grupo agem todos da mesma forma, embora não exista direção planejada buscando fazer parte do todo. Paralelamente, essa é a consequência do estabelecimento de padrões, uma busca desenfreada das pessoas por atender a esses modelos, entretanto, não há ordem, bom senso, limites, resultando em situações trágicas como mortes em cirurgias, a bulimia e a depressão causada por nunca alcançar o padrão que a sociedade adotou para deixar uma marca de sangue na história.

Fica claro, portanto, que medidas devem ser tomadas para resolver o problema. Primeiramente, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com a mídia, trabalhar para acabar com os modelos corporais vigentes por meio da criação de campanha contra a padronização e palestras para a instruir a população sobre o risco dessa busca pela “perfeição”, a fim de mudar as definições de beleza e acabar com o comportamento de manada. Ademais, compete ao Ministério da Saúde cuidar do problema do excesso de procedimentos estéticos e ajudar que o indivíduo a aceite o seu corpo por artifício de auxílio psicológico e fiscalização em clinicas de cirurgia plástica, a fito assegurar a saúde mental da população e de garantir que todos as operações sejam feitas com responsabilidade e competência.