O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 07/09/2018

Na mitologia grega, Hefesto, deus do fogo, foi rejeitado e jogado ao mar por sua mãe, que o considerou muito feio para viver no Olimpo. Atualmente, esse mito assemelha-se à realidade de muitos brasileiros que se sentem excluídos - e sofrem diversos transtornos - por não condizerem com os padrões de beleza que lhe são impostos. Desse modo, é de fundamental relevância avaliar como fatores de ordem educacional e a mídia influenciam no culto à padronização corporal.

" O homem é aquilo que a educação faz dele". De uma análise dessa afirmação, do filósofo Immanuel Kant, pode-se concluir a importância da escola para a desconstrução do ideal estético difundido em nossa sociedade, uma vez que ela auxilia na formação crítica e cultural dos indivíduos. Entretanto, dados divulgados por uma pesquisa realizada pela marca Dove - 83% das mulheres se sentem pressionadas a atingir a definição de beleza- corroboram que a educação brasileira tem falhado em abordar e debater sobre a diversidade de belezas e a importância da aceitação pessoal. Assim, as pessoas consideradas fora do padrão são, muitas vezes, vítimas de bullying e preconceito, não só em ambiente escolar, mas em todos os meios sociais, fato que fomenta a busca de modos para conseguir se enquadrar nessa cruel ditadura da beleza.

Em uma segunda avaliação, de acordo com os filósofos alemães da Escola de Frankfurt existe uma manipulação da sociedade exercida pela mídia. Nesse sentido, mediante propagandas, novelas e outros entretenimentos - que não mostram a realidade, mas vidas idealizadas, em que estar sempre bonito e dentro do modelo tido como perfeito, é sinônimo de felicidade e de ser bem sucedido - esses meios de comunicação estimulam uma busca excessiva por algo inatingível. Dessa maneira, as pessoas têm praticado exercícios em excesso, feito dietas de todos os tipos, se submetendo a vários procedimentos estéticos, entre outras coisas que podem prejudicar a saúde, sem, no entanto, chegar à um resultado satisfatório, o que tem aumentado os índices de baixa autoestima e depressão.

Dado o exposto, conclui-se que é de essencial valor a resolução dessa problemática. Desse modo para que os jovens aprendam, desde pequenos, a importância de aceitar a si e ao próximo como são, o MEC deve promover mutirões em todas as escolas, que juntem pais e filhos, para discutir por meio de atividades com especialistas , como psicólogos, a validade desses padrões impostos e estimular a aceitação da diversidade de formosuras. Além disso, a mídia , como formadora de opinião, deve por meio de campanhas de engajamento em redes sociais, em propagandas e telenovelas encorajar o amor próprio e alertar aos perigos da busca descontroladas por métodos de embelezamento. Assim, os indivíduos, ao contrário de Hefesto, serão acolhidos em sociedade.