O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 06/09/2018

De acordo com a Organização Mundial de Saúde - OMS, desde 1946 está definido o significado de saúde, na qual consiste no bem estar físico, social e mental de um indivíduo, e não apenas ausência de doenças. Hodiernamente, a padronização corporal afeta diretamente a saúde de inúmeros cidadãos brasileiros, pois a busca excessiva por uma beleza ideal consiste na ausência de limites para modificar o corpo. A partir dessa perspectiva, os transtornos alimentares, e a influência midiática corroboram para essa busca inalcançável do corpo impecável.

No filme “O mínimo para viver”, de Marti Noxon, aborda-se temática dos transtornos alimentares, e a luta constante das pessoas entre a mente e o corpo. Além disso, é visto que esses transtornos não limitam-se apenas às mulheres mas também, afeta os homens. A partir dessa perspectiva, esses transtornos estão relacionados a falta ou excesso de alimento, dependendo do objetivo de mudança corpórea do cidadão. No limiar do século XXI, com os avanços tecnológicos no Brasil, as dietas sem avaliação nutricional estão tornando-se opções para muitas pessoas, a população adere e acredita que os resultados são possíveis sem precisar de uma avaliação médica, assim essas atitudes corroboram, para o aumento dos transtornos alimentares.

Ademais, a influência da mídia perante à padronização corporal está diretamente associada ao avanço da rede informacional. No Brasil, a mídia através dos meios de comunicação expõe campanhas publicitárias engajadas na venda de cosméticos, e utiliza de profissionais da moda para exercerem essas campanhas, visando o consumismo dos brasileiros e ,consequentemente, a busca incansável dos padrões. Nesse viés, dados afirmam que o Brasil é o primeiro no ranking de cirurgias plásticas no mundo. Com isso, a cultura da não aceitação afeta efetivamente a saúde dos indivíduos, e pode desencadear o aumento no índice de depressão, pois a autocritica do corpo gera sentimento de infelicidade por nunca está na medida certa.

Portanto, o Ministério da Educação, em conjunto com o Ministério da Saúde, deve intervir nas instituições de ensino, através de palestras e debates que visem abordar as diferenças existentes no Brasil, bem como a pluralidade do significado de beleza, levando em consideração os riscos que uma dieta desequilibrada pode ocasionar problemas de saúde, com intuito de conscientizar os jovens sobre os  transtornos alimentares e os distúrbios que eles ocasionam no organismo. O Governo federal tem a incumbência de elaborar um órgão para fiscalizar as propagandas relacionadas ao apelo estético, assim mitigando seus impactos sobre a população, reduzindo os extremismos estéticos.