O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 03/09/2018
No Renascimento, relatado em suas obras por artistas como Da Vinci e Michelangelo, o modelo de beleza era caracterizado por um corpo obeso. Entretanto, na atualidade, a figura humana ideal passou a ser um corpo magro, esguio e atlético. Sendo assim, é necessário analisar como a mídia e a herança histórico-cultural interferem na problemática em questão.
Primeiramente, destaca-se a mídia como principal responsável pela busca populacional do corpo perfeito. Isso se dá devido ao seu poder persuasivo que impõe à sociedade padrões de beleza pré estabelecidos de acordo com seus interesses econômicos. A exemplo disso, observa-se como os brasileiros buscam por métodos estéticos da “moda” influenciados por sites, figuras públicas e propagandas televisivas, visto que 83% das mulheres sentem-se pressionadas a atingirem o que é dito perfeição corporal, segundo a pesquisa realizada pela Dove. Em consequência disso, as pessoas que não se encaixam nesse padrão são oprimidas e então há o aumento do número de casos de depressão, ansiedade, suicídio, entre outras mazelas.
Vale salientar ainda como a herança histórico-cultural sustenta o culto ao corpo perfeito. Isso decorre do Classicismo, estilo de época da literatura brasileira, na qual tinha como principal aspecto o enaltecimento da anatomia humana. A sociedade, então, por tender a incorporar as estruturas sociais passadas, conforme defendeu Pierre Bourdieu, naturalizou esse pensamento. Em decorrência disso, é difícil desmistificar que o belo tem relação com o magro, o alto, o cabelo liso e ser da cor branca, por exemplo, porém não é impossível.
Em síntese, algumas revisões são necessárias. Em razão disso, o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária deverá regular propagandas que incitem a adoção de padrões estéticos com maior rigidez, através da cobrança de multas para as empresas que descumprirem as regras, com o intuito de promover a diversidade de aparências. Ademais, O MEC, em parceria com as escolas, deverá implantar a matéria de ética e cidadania na grade curricular e através das aulas com educadores especializados, desconstruir o culto ao corpo já enraizado na sociedade. Só assim, os brasileiros deixarão de supervalorizar os estereótipos impostos na atualidade.