O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 03/09/2018
No quadro renascentista ‘‘O Nascimento de Vênus’’, do pintor Sandro Botticelli, é possível observar uma mulher mais rechonchuda, se comparada com as modelos magérrimas do padrão de beleza atual, comprovando, assim, que os padrões corporais são mutáveis. No entanto, nos dias de hoje, esse culto ao corpo ganha novas proporções, graças ao capitalismo, evidenciado pela indústria cultural e presente na exclusão social das minorias.
Nesse contexto, é necessário ressaltar que tal indústria iniciou-se com a produção em massa de Henry Ford, no início do século XX, pois era necessário produzir em larga escala, objetivando a redução dos custos produtivos. Desse modo, a padronização tornou-se mais forte, incluindo, com efeito, os corpos. O problema com tal fato é que ele impõe, até hoje em dia, padrões de beleza inatingíveis, já que cada ser é, obviamente, único. Isso é constatável ao observar a boneca Barbie, por exemplo, vendida em grandes números no Brasil para as crianças, que desde cedo inserem-se nessa padronização corporal. Infelizmente, a principal consequência é a tentativa de homogeneizar a sociedade, ignorando as individualidades de cada pessoa.
Em adição, é evidente que alguns indivíduos aproximam-se mais do que outros desses padrões de beleza. Sendo assim, a exclusão social das minorias relegadas pela ditadura do corpo consolida-se na sociedade, porque tais padrões corporais já estão culturalmente estabelecidos. Essa realidade é notória ao observar a expressiva quantidade de casos envolvendo o bullying nas escolas do Brasil: de acordo com o Ipea, 63% dos adolescentes de escolas particulares, que consideram-se acima do peso, dizem sofrer com a exclusão social. Por conseguinte, o culto ao padrão de beleza torna a discriminação corporal um fato no Brasil.
Fica claro, portanto, que a problemática existe e precisa ser resolvida. Por meio da ação do Ministério da Saúde, é viável conscientizar os jovens que toda pessoa é bela, logo, a mesma não precisa estar em consonância com a indústria cultural para o ser. Essa conscientização pode ser realizada com a contratação de empresas, que fabriquem brinquedos com personagens detentores de diferentes corpos, visando quebrar com o padrão de beleza atual. Além disso, o Estado deve tornar obrigatório a presença de psicólogos na rede pública e particular, para tratar dos casos de bullying, objetivando uma maior inclusão social das minorias. Assim, ao mesmo tempo que uma nova perspectiva acerca dos corpos é promovida, os danos do culto ao padrão corporal são reparados.