O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 05/09/2018

Havia a expectativa política nas cidades-estado grega de que os bons cidadãos deveriam manter a boa forma, uma mente sábia não bastava: um corpo forte e bonito tinha de acompanhá-la. De certo, cuidar do corpo é uma atitude saudável como também a beleza é vitalidade. Entretanto, quando a vontade de manter uma aparência que torna-se inalcançável, acaba sendo prejudicial a saúde física e mental no indivíduo. Evidentemente, que a imagem formada pela mídia reforça um sentimento de exclusão quando não se sentem inseridos nos esteriótipos estabelecidos.

Em primeira análise, a televisão sendo o maior meio de entretenimento e formadora de opinião entre os brasileiros, fortemente ressalta a boa aparência nas pessoas bem sucedidas nas telenovelas e filmes. Por conseguinte, o Brasil tornou-se campeão mundial de cirurgias plásticas - foram 400 mil procedimentos em 2005, segundo a Sociedade de Cirurgias Plasticas -, superando nações com renda per capital superior. Isso revela um indício, de que, a preocupação com a beleza ausentou-se do rol dos supérfluo para uma pseudo necessidade, que extrapolam até mesmo o condicionamento físico do corpo e a fisionomia da pele. Desse modo, deve haver debates na mídia de forma que mostre os limites e os reais cuidados ao se submeter a modificações corporais desnecessárias.

Por outra parte, o sentimento de não pertencimento entre os moldes da cultura de uma sociedade, gera de certa forma uma exclusão. Nesse viés, o personagem Fabiano de “vidas secas”, vive se questionando se é homem ou bicho. Equipara aos indivíduos que não se encontram ou geneticamente não estão entre os padrões tidos como referências de beleza estabelecidas no corpo social, afligindo principalmente os adolescentes. Bem como, é nessa fase da modificação corporal e a construção das incertezas que aumentam as preocupações com a imagem e a estética, levando, por exemplo, à dietas sem orientação profissional prejudicando seu desenvolvimento. Assim, o apoio da família é fundamental para que o jovem possa sentir-se confortável e com boa saúde sobre o seu corpo.

Portanto, faz-se necessário que medidas eficazes amenizem esse contratempo na sociedade. Em razão disso o Ministério da Educação em parceria ao responsável do gibi Turma da Mônica, na qual tem grande influência sobre crianças e jovens, publicar nas redes de ensino por meio de ilustrações e diálogos nas tirinhas, informando a importância de aceitar o corpo e aparência quando não houver prejuízos a saúde. Para que possam construir com senso critico pensamentos que desconstruam os padrões estéticos como  o único sinônimo de beleza no futuro. A fim de tornar possível um maior engajamento na sociedade, e os bons-cidadãos possam se sentir belo de formas diversificadas.