O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 07/09/2018

Segundo a filosofia do chinês Confúcio, é demasiadamente difícil encontrar alguém que ame a virtude tanto quando a beleza do corpo. Esse pensamento corrobora com cobrança que a sociedade brasileira impõe sobre as mulheres, acerca da perfeição física. Com tamanha influência e valorização da beleza externa no Brasil, métodos prejudiciais à saúde são adotados quando mulheres tomam por objetivo atingirem o “corpo ideal”. Tais fatos se dão, não só pela cultura brasileira que padroniza a beleza, mas também à influência direta dos meios atuais de comunicação.

À medida que o tempo passa e a evolução humana avança, felizmente, preconceitos são esquecidos. Porém, ainda é possível observar divergências na análise de mulheres. Desde que a Colonização Brasileira (1500 d. c.) impôs ao país a classificação de beleza de acordo com o padrão europeu, biótipos divergentes foram estigmatizados e classificados como inadequados. Como ainda possuímos reflexos de tal imposição, mulheres que não se encaixam nesses tributos, buscam uma forma de serem valorizadas por características físicas, fazendo de tudo para alcançar o padrão.

Concomitantemente, a difusão da internet a nível global, tornou os padrões de beleza (já existentes) ainda mais visíveis e desejados pelas mulheres, transformando transtornos alimentares e emocionais comuns. A classificação de feio e bonito nas propagandas (disseminada em cartazes e, principalmente, nas redes sociais), causam em muitas mulheres a necessidade de se enquadrarem a eles. Paralelamente, as que atingem o objetivo divulgam a vitória às outras, gerando um ciclo vicioso em torno da perfeição equivocada e desprezando, ainda mais, os mais diversos tipos de corpos.

Contudo, a desvalorização do corpo feminino em suas formas naturais e belezas relativas, prejudicam jovens e mulheres fisicamente e emocionalmente. Por conta disso, é necessária uma intervenção do Ministério da Educação junto ao Ministério da Saúde em uma ação que será realizada em duas etapas. A primeira consiste em palestras realizadas das unidades de ensino, visando à desconstrução de padrões estéticos. A segunda etapa requer a divulgação intensa pelo SUS (Sistema Único de Saúde) dos prejuízos que praticas radicais de emagrecimento podem trazer ao indivíduo, além de oferecer em acompanhamento a quem precisa de cuidados físicos ou emocionais. As atitudes têm como objetivo iniciar a desestruturação do senso comum de beleza, e valorizar a beleza miscigenada que forma a nação de mulheres brasileiras.