O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 05/09/2018
É propagado no mundo pós moderno, seja em capas de revista ou em programas de TV, um corpo “ideal” vendido pelas indústrias de beleza e moda. Cirurgias estéticas, remédios “milagrosos”, dietas de todos os tipos são medidas para tentar alcançar um padrão de beleza, muitas vezes inatingível, que podem levar o ser humano a um caminho de frustração que custa caro não só ao bolso, mas também ao psicológico. Segundo a plataforma Groupon, o Brasil mostra quase 90% da população é insatisfeita com seu próprio corpo, e tal insatisfação pode ser fruto de pressões sociais. Até onde estaria o ser humano apto a ir em busca de uma padronização idealizada e estereotipada pela mídia?
A priori, têm se que a Barbie se fosse real não viveria. Sua cintura extremamente fina não acomodaria seus órgãos e suas medidas “reais” seriam de uma mulher com anorexia. Contudo, a boneca da Mattel é desde o século XX, um padrão de beleza desejado por milhares de mulheres que insatisfeitas com seus corpos recorrem à medidas desesperadas como dietas restritivas e cirurgias de risco, como o caso da ex-modelo Andressa Urach que em 2014 quase veio à óbito por conta de uma aplicação de hidrogel nas pernas que gerou sepse. A indústria da beleza mata e machuca, seja com cirurgias ou com os distúrbios despertados por essa padronização de corpos, tais como a depressão, bulimia e anorexia.
Tal padronização dos corpos para Durkheim seria considerada um fato social, visto que é coercitiva, generalizada e externa ao indivíduo. A busca pelo corpo perfeito é produto de uma sociedade que desde a Grécia antiga, período helenístico, valoriza o belo e sua concepção vem se transformando até chegar na sociedade hodierna, na qual a magreza é exaltada, e uma menina que sofrendo de um câncer no estômago e sem poder se alimentar tem o corpo “perfeito”, como o caso de Nara Almeida que morreu em 2018; na qual modelos recorrem ao uso de drogas para manterem seus manequins e meninas “fora” dos padrões carregam a culpa por não serem “perfeitas”, podendo serem levadas a cometer atitudes drásticas, como Diélly dos Santos que vitimada por comentários maldosos sobre seu corpo cometeu suicídio.
Em virtude dos fatos mencionados é visível que o culto à padronização corporal é realidade no Brasil e no mundo, e medidas são necessárias para resolução do impasse. Cabe a própria sociedade, como organismo vivo de Durkheim, em parceria com ONGs cabíveis reconhecer a individualidade de cada um e lutar contra a padronização, seja por meio de palestras, manifestações que quebrem os estereótipos que regem a indústria da moda, mostrando que cada indivíduo é único. E aos meios midiáticos cabe propagar os diferentes tipos de beleza, não só espelhados no manequim 36, reforçando a ideia da individualidade para que o padrão de “beleza” seja refletido sim na saúde, tanto física quanto mental.