O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 06/09/2018
“As feias que me perdoem, mas beleza é fundamental”. Verso famoso do poeta Vinicius de Moraes é a síntese do pensamento moderno acerca do padrão corporal, buscando uma homogeneização do conceito de beleza. Nesse viés, com os avanços tecnológicos e a rápida disseminação de informações, se gerou uma cobrança excessiva acerca dos padrões estéticos. No demais, vale salientar, que esses padrões são construídos através de ferramentas midiáticas, com o objetivo de atrair mais consumidores para o chamado “mercado da beleza”.
A priori, os filósofos Max Horkheimer e Theodor W. Adorno, principais representantes da Escola de Frankfurt, versam sobre a indústria cultural, a qual é responsável por disseminar pensamentos coletivos e massificar opiniões. Com isso, fica clara a existência de uma relação muito próxima entre mídia e população, ficando mais fácil disseminar um padrão de beleza. Por consequência, a imposição da sociedade a adesão desse padrão, oprime os que não se encaixam, tendo como resultado o aumento do número de casos de depressão, ansiedade, suicídio, entre outros males.
Além disso, o culto ao corpo coloca-se hoje como preocupação geral atravessando todos os setores, classes sociais e faixas etárias, apoiada num discurso ora voltada à questão estética, ora à preocupação com a saúde. Nesse cenário, tem-se a busca pelo corpo perfeito consolidada nos valores culturais brasileiros. Reconhecido mundialmente por sua beleza, o Brasil é palco de constantes cobranças para o alcance dos padrões estabelecidos, como foi observado em pesquisa realizada pela marca de cosméticos Dove, que apontou o país como acima da média global na porcentagem de mulheres que se sentem pressionadas a atingir o corpo ideal. Nesse sentido, as exigências aos estereótipos de beleza estão associadas a uma identidade nacional de forte culto à padronização estética.
Portanto, medidas são necessárias para solucionar o impasse. O Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (CONAR) deverá regular propagandas que incitem a adoção de padrões estéticos com maior rigidez, reduzindo o impacto que as mesmas exercem sobre a sociedade, promovendo a diversidade de aparências. É notória a influência de fatores educacionais e culturais na problemática supracitada. Nesse viés, cabe ao Ministério da Educação, em consonância com ONG´s e escolas, a partir de palestras e debates nas salas de aula, além de campanhas na internet e nas ruas, desconstruir os padrões criados e promover a diversidade de belezas, assim orientando a população acerca da importância da aceitação corporal.