O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 04/09/2018
Hodiernamente, o Brasil vive sob a égide de uma democracia que provém da Constituição promulga-da em 1988. A partir desse pressuposto, inscritos em tal conjunto de leis estão os artigos 5º e 6º, os quais têm por função garantir, principalmente, o respeito à dignidade humana e à saúde a todos os cidadãos. entretanto, apesar de assegurado pela Magna Carta vigente, percebemos que a persistência da cultura machista e materialista, concomitantemente à ampliação do uso dos meios de comunicação interferem negativamente para a perpetuação de padrões estéticos que, muitas vezes, colocam em risco a vida das mulheres.
A priori, é importante sublinhar que, segundo Karl Marx, em sua teoria sobre o fetichismo da mercadoria, os indivíduos deveriam ser tratados não como coisas que possuem valor, mas como pessoas que têm dignidade. Sob tal ótica, nota-se que a sociedade brasileira, decerto, vai de encontro a tal postulado filosófico, uma vez que a padronização do conceito de beleza, enraizado desde o período colonial tupiniquim pela cultura patriarcal, transforma os valores estéticos em um lucrativo comércio para a Indústria cultural e, desse modo, coloca em cheque o respeito às diferenças.
A posteriori, caberia lembrar ainda que, na segunda metade do século XIX, a Revolução Industrial ganhou força no cenário brasileiro, fato que motivou a rápida expansão dos ideais capitalistas e do intenso desenvolvimento da globalização. Na esteira desse processo, no entanto, a utilização dos instrumentos midiáticos para a normatização de comportamentos e a uniformização corporal das mulheres se tornou uma grande ferramenta de influência na sociedade. Tal fato pode ser evidenciado, por exemplo, por meio da utilização do “instagram” e do “facebook” pelas blogueiras, as quais propagam ideais que as empresas cosméticas e de beleza impõem e levam milhares de mulheres a cometerem loucuras, como dietas absurdas, para alcançar os padrões de beleza.
Destarte, para enfrentar os desafios de assegurar os direitos fundamentais, mormente os referentes à saúde e à dignidade, é necessária uma política que se oriente pelo princípio da responsabilidade compartilhada dos atores sociais, como o Estado e a sociedade. Nesse sentido, compete ao Governo, na figura do Ministério da educação, implementar, por intermédio de políticas públicas, campanhas que utilizem de palestras, profissionais educadores e da mídia, para fomentar a importância de uma alimentação balanceada e do cuidado com a saúde corporal para o bem estar da população. Por fim, é função da sociedade civil organizada, por sua vez, sensibilizar, mediante o uso das redes sociais, acerca da importância do respeito às diferenças, com o intuito de desfazer os padrões estéticos vigentes e propagar a felicidade como real motivo de padronização.