O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 05/09/2018
Felicidade como padrão
Segundo o filósofo Theodor Adorno, a Indústria Cultural diz respeito à massificação da sociedade, anulando a individualidade de cada um. Ela supõe que todos são iguais e querem a mesma coisa. Essa indústria utiliza-se dos canais de comunicação para passar a ideologia dominante adiante. Nesse contexto, o culto ao corpo perfeito está se intensificando e as mulheres, principalmente, se veem obrigadas a seguirem o padrão de beleza imposto pela sociedade e pela mídia, essa busca incessante afeta cada vez mais a saúde e o psicológico delas.
Em primeira instância, cabe mencionar que muitas mulheres lutam diariamente para chegar ao corpo ideal. Entretanto, grande parte delas não conseguem atingir o objetivo, visto que o processo é árduo e exige grandes sacrifícios, sendo quase impossível de se alcançar, e, por consequência desencadeiam doenças como depressão, anorexia e baixo autoestima.
Além disso, quando todos os meios para se alcançar os resultados são falhos, as mulheres recorrem aos procedimentos cirúrgicos que lhes proporcionam o corpo perfeito de forma instantânea. De acordo com um relatório divulgado pela International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS), em 2013, o Brasil foi o país que mais realizou procedimentos cirúrgicos no mundo. A necessidade de estar nos padrões impostos para se sentir bem é uma realidade cruel, ninguém deveria sentir vergonha de encarar o espelho só porque ele não é o que aparece nas capas de revista.
Entende-se, portanto, que a busca para ter o corpo perfeito afetaq não somente a saúde física, mas também a mental. Dessa forma, as escolas poderiam proporcionar palestras a fim de ensinar as crianças a amarem o que elas veem no espelho. De forma conjunta, a mídia deveria incluir em novelas, filmes e seriados a diversidade da beleza humana. Em uma era em que tudo é padronizado fugir dos padrões é um ato revolucionário. Cada pessoa tem sua própria beleza e não necessariamente é a externa.