O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 04/09/2018

A busca pela padronização da diversidade corporal

Desde o Iluminismo, entende – se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. No entanto, quando se observa a problemática do culto a padronização corporal, no Brasil, hodiernamente, verifica-se que esse ideal iluminista é constatado na teoria e não desejavelmente na prática e a problemática persiste intrinsecamente ligada á realidade do país, seja pela imposição exacerbada da indústria da beleza, seja pela pressão social imposta pela busca do corpo perfeito.       Nesse sentido, convém analisarmos as principais consequências de tal postura negligente para a sociedade. É indubitável que a questão constitucional e sua aplicação estejam entre as causas do problema. Segundo o filósofo grego Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça o equilíbrio seja alcançado na sociedade. De maneira análoga, é possível perceber que, no Brasil, o comércio estético rompe essa harmonia, haja vista que diariamente na mídia, faz-se uso de propagandas reforçando uma idealização corporal principalmente nas mulheres que desde a infância são ensinadas a ser e se comportar de determinado modo. Outrossim, destaca-se a incansável busca pelo corpo perfeito como impulsionador do problema. De acordo com Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de agir e de pensar, dotada de exterioridade, generalidade e coercitividade. Segundo essa linha de pensamento, observa-se que de acordo com uma pesquisa da Edelman Intelligence, 83% das mulheres se sentem pressionadas a atingir a definição de beleza; esta realidade, reforça ainda mais a objetificação do indivíduo em por meio do culto ao corpo. É evidente, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem a construção de um mundo melhor.   Destarte, o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (CONAR) deve exigir a diversificação de pessoas com diferentes corpos - que não se encaixam em padrões alienantes e opressores que afetam mentalmente e ás vezes fisicamente, causando transtornos – nas propagandas , promovendo a aceitação dos seus corpos do jeito que são, e desestimulando a padronização corporal. Como já dito pelo pedagogo Paulo Freire, a educação transforma as pessoas, e essas mudam o mundo. Logo, o Ministério da Educação (MEC) deve instituir, nas escolas palestras ministradas por psicólogos, que discutam o combate ao culto da padronização corporal, a fim de que o tecido social se desprenda de certos tabus para que não viva a realidade das sombras, assim como na alegoria da caverna de Platão.