O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 04/09/2018
A definição de padrões de beleza acompanha a humanidade desde os seus primórdios, como na Grécia Antiga em que a valorização do corpo atlético era intensa. Na contemporaneidade, entretanto, o desenvolvimento das tecnologias de informação gerou um aumento expressivo da divulgação e da cobrança acerca dos modelos estéticos, ocasionando diversos transtornos aos indivíduos que fogem desses padrões, pois numa sociedade de consumo, a venda do ideal de imagem perfeita faz-se natural. Fatores de ordem educacional, bem como cultural, expressam a urgência de mudanças nesse cenário.
É importante pontuar, de início, a negligência acadêmica quanto à abordagem da temática. À guisa do pensamento kantiano, o ser humano é aquilo que a educação faz dele, sendo diretamente influenciado pela sua formação estudantil. As escolas brasileiras, porém, ao se ausentarem sobre o debate das diversidades de belezas e da importância da aceitação pessoal, fomentam um comportamento de padronização corporal no país, no qual, a mídia divulga modelos a serem seguidos considerando o belo ligado à formas físicas perfeitas. Tal fato pode ser ratificado pela apatia do meio estudantil frente aos numerosos casos de bullying nas salas de aula relacionados aos padrões de beleza.
Outrossim, tem-se a busca pelo corpo perfeito consolidada nos valores culturais brasileiros. Reconhecido mundialmente por sua beleza feminina, o Brasil é palco de constantes cobranças para o alcance dos padrões estabelecidos, como foi observado em pesquisa realizada pela marca de cosméticos Dove, que apontou o país como acima da média global na porcentagem de mulheres que se sentem pressionadas a atingir o corpo ideal. Nesse sentido, as exigências aos estereótipos de beleza estão associadas a uma identidade nacional de forte culto à padronização estética, desse modo, o que deveria trazer felicidade, assim, trás muitas das vezes angústia e insatisfação.
É notória, portanto, a influência de fatores educacionais e culturais na problemática supracitada. Nesse viés, cabe às escolas, em consonância com ONG´s da área, orientar a população acerca da relevância da aceitação pessoal. A ideia é, a partir de palestras e debates nas salas de aula, além de campanhas na internet e nas ruas, desconstruir os padrões criados e promover a diversidade de belezas. Paralelamente, a mídia, enquanto formadora de novos comportamentos e opiniões, deve desenvolver projetos de propagação da heterogeneidade estética existente no país. Essa medida deve contar com propagandas educativas nos veículos de comunicação e telenovelas que abordem o tema a fim de superar os ideais de beleza e garantir a harmonia da sociedade brasileira.