O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 04/09/2018

“O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles”. Essa afirmação da filósofa francesa Simone de Beauvoir pode ser facilmente aplicada ao contexto da padronização corporal no Brasil, porquanto mais espantoso a lenta mudança mudança de mentalidade social é a naturalidade como a situação é tratada. Por conseguinte, é evidente o malefício da idealização do corpo humano para a saúde das pessoas, isso reverbera a ineficiência das ações do Estado. Ademais, destacam-se entre os fatores contribuintes com essa realidade a influência da sociedade nas relações humanas e as precárias campanhas públicas.

É inegável que a questão social esteja entre as causas do culto a padronização corporal. Conforme Émile Durkheim o fato social é uma maneira coletiva de agir e de pensar, baseada na coercitividade e exterioridade. Desse modo, se um indivíduo vive em uma comunidade onde há a idealização do corpo humano, as pessoas irão realizar ações prejudiciais para a saúde, como fato de buscar a forma de corpo correto, por conta do poder da sociedade nas interações humanas. Por exemplo, com dietas sem prescrição de profissionais de saúde, as quais causam problemas para as pessoas, como distúrbios alimentares e anemia.

Entrementes, outro aspecto a ser avaliado é a participação do Governo na promoção de campanhas públicas. Sob a perspectiva de John Locke e suas ideias contratualistas, o Estado tem poder absoluto e  indubitável, porém, nos dias atuais, há questionamentos relacionamentos à aplicação regular de investimentos na melhoria do sistema de comunicação, as quais devem conter conteúdos práticos e formas para diminuir a influência da padronização do corpo. Mas, sabe-se que existe a irregularidade de campanhas em território nacional, por isso, o contrato social, proposto pelo filósofo, é rompido. Assim, sem uma solução eficaz e de longo prazo, a situação tende a permanecer no país.

Entende-se, portanto, que o culto da padronização do corpo é fruto da atuação da mídias nas relações sociais. A fim de diminuir o problema, concerne às Escolas, associadas às emissoras de televisão, deve promover campanhas de abrangência nacional, por meio de comerciais e programas educativos ministrados por professores e profissionais de saúde, de forma igualitária em território nacional para, então, incentivar a adoção de formas nutritivas para manter a harmonia corporal. Outrossim, cabe à Sociedade Civil a diminuição da cultura da idealização do corpo, por intermédio do debate em locais públicos, em regiões onde há altos índices de distúrbios alimentares. Além de ensinar práticas saudáveis para as pessoas, como incentivo ao exercício físico. Logo, seguindo essas ações, o contrato social de John Locke se manterá no Brasil e o problema amenizado gradativamente.