O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 05/09/2018

Torna-se, mais uma vez, evidente e necessária, a luta dos brasileiros em busca do positivismo do sociólogo Auguste Comte em prol da ordem e do progresso, pois surgem outros desafios no século XXI, como o culto à padronização corporal. Esse problema esbarra em dois entraves a serem superados: o padrão de beleza imposto pela sociedade, bem como o preconceito existente no país.

É indubitável que a tese de Émile Durkheim, de que a sociedade pode ser comparada a um “corpo biológico” por ser, assim como esse, composta por partes que interagem entre si para garantir a coesão e a igualdade, não foi aceita por todos no Brasil. Isto é, o padrão de beleza imposto pela sociedade exclui muitos cidadãos que não possuem determinadas características compatíveis a visão de beleza, como por exemplo a magreza, o que mostra a não interação entre as partes desse corpo social. Desse modo, políticas que estabeleçam a igualdade e elimine a superioridade de determinados padrões de beleza em detrimento de outros são inadiáveis, pois, somente dessa forma que os membros do país conseguirão relacionar-se harmonicamente.

Outrossim, o preconceito por parte de muitos brasileiros corrobora o culto à padronização corporal, uma vez que comportamentos de repressão e de exclusão frente às pessoas com sobrepeso, evidenciam formas corporais privilegiadas. Diante desse cenário, e tendo em vista os problemas gerados ao país, como os elevados números de pessoas com a saúde fragilizada, a qual está vinculada, muitas vezes, à má alimentação, assim como o afastamento de muitos do meio social devido a sua exclusão, torna-se indispensável medidas coercitivas para esse preconceito. Assim, segundo o filósofo Sócrates, o conhecimento do que é certo leva ao agir correto, o que evidencia a grande necessidade de demonstrar a população a diversidade corporal existente, e acima de tudo o respeito às características de cada um.

Sendo assim, para que o Brasil possa vencer esse desafio do culto à padronização corporal, é preciso  que o Ministério da Educação promova palestras e debates nas escolas, a fim de demonstrar que a diversidade corporal deve ser respeitada, visando à exclusão da superioridade de determinado padrão estético em detrimento de outro. Paralelo a essa medida, cabe ao Ministério da Saúde propor em todas as unidades de saúde projetos que visem ao emagrecimento saudável, por meio de acompanhamento de equipes especializadas que possam auxiliar as pessoas em suas dietas e atividades físicas, objetivando o bem-estar social. Tais ações são imprescindíveis para dar continuidade à luta dos brasileiros em busca da ordem e do progresso.