O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 06/09/2018

O advento das redes sociais - como Instagram e Facebook - potencializou a disseminação de padrões estéticos. Tal fenômeno, que antes se propagava através de revistas ou pela mídia televisiva, foi capaz de atingir proporções mundiais em um curto espaço de tempo, além disso, tais enquadramentos tornaram-se cada vez mais inatingíveis. No Brasil, as “web celebridades”, possuem grande poder de influência, tanto na moda, quanto na padronização corporal.

O ideal estético sofreu diversas mudanças ao longo dos anos, nas sociedades mesopotâmicas, a mulher era considerada um símbolo de fertilidade - a exemplo as estatuetas de Vênus - logo, era comum formas com quadris mais largos e seios grandes. Por outro lado, na Grécia Antiga, o corpo possuía feições harmônicas e simétricas, com a predominância de músculos. Portanto, o conceito de beleza corporal é altamente influenciado por fatores culturais e históricos. A partir da década de 1960, com o movimento hippie, o ideal de magreza torna a ser cultuado e desde então, essa padronização permeia entre o corpo atlético ou magro. Entre as principais influenciadoras estão as musas “fitness”, como a Gracyane Ramos, e modelos como Gisele Bündchen e Alessandra Ambrosio.

Ademais, segundo Rosseau, filósofo iluminista, “O homem nasce livre mas por toda parte se encontra acorrentado.” Na atualidade, parte da população está presa a padrões estéticos que exigem demasiada dedicação a exercícios físicos, à dietas e também à realização de cirurgias plásticas. Tais esforços estão em um limiar tênue entre a saúde física e a obsessão por um corpo idealizado, podendo encandear transtornos alimentares como anorexia e bulimia. É necessário a constante vigilância e cuidado, para que a pressão corporal não se torne uma questão que interfira no bom funcionamento do organismo.

Portanto, é de extrema importância que haja uma revisão dos padrões disseminados e seguidos pela sociedade. Inicialmente, agências de modelos e empresas devem visar uma maior pluralidade em suas propagandas e campanhas, representando as variadas formas de corpo. Outrossim, cabe ao indivíduo buscar o equilíbrio entre a saúde física e mental, utilizando-se de dispositivos dessa área, como nutricionistas, psicólogos e educadores físicos. Sob esse viés, Governos Estaduais podem disponibilizar nas Unidades Básicas de Saúde acesso à consultas com esses profissionais, também a elaboração de cartilhas de alimentação saudável que frizem a importância da aceitação pessoal e da busca pelo bem-estar independente de pressões externas, pode ser uma ação feita em parceria com o Ministério da Saúde e veiculadas nos meios midiáticos.