O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 05/09/2018
O ideal de beleza é um axioma presente em todas as civilizações humanas e corroborado por suas produções artísticas. Para exemplificar, as estátuas gregas e pinturas renascentistas diferem em sua ideia de belo, no entanto, convergem na existência de uma constituição física tida como desejável, em detrimento de outras. Assim, a sociedade pós-moderna, caracterizada pelo sociólogo Zygmunt Bauman na frase: “Consumo, logo existo”, faz do corpo ideal um produto e propaga seus próprio padrões. Nesse contexto, o culto a padronização corporal no Brasil é reforçado por estereótipos devido a sua tropicalidade e necessita ser combatido, visto que, é prejudicial a saúde da população.
Diante o elencado, é indubitável que as características físicas e climáticas do país sejam fatores a ser considerados. Nessa conjuntura, de acordo com Émile Durkheim, o fato social é uma forma generalizada socialmente de agir, dotada de coercitividade. Seguindo esse raciocínio, a padronização corporal em culto pode ser percebida como fato social no Brasil, através de conceitos ligados a tropicalidade, especificamente, “Corpo de praia” e a necessidade de um “Projeto verão” para obtê-lo. Ou seja, o acesso a um local democratizado - a praia - é condicionado a adequação da imagem do indivíduo ao ideal, a fim de não sofrer represarias sociais - tais como, a incitação do sentimento de vergonha. Dessa forma, ações cabíveis por parte dos agentes responsáveis são urgentes.
Concomitantemente, outra face do imbróglio, é a questão tangente aos danos psicológicos sofridos por aqueles que não se adaptam ao padrão cultuado. Sendo assim, para elucidar a gravidade da situação, uma pesquisa realizada pela Edelman Intelligence afirma que 92% das brasileiras entre 33 e 37 anos se sentem coagidas a atingir a definição de beleza. Isso posto, é imprescindível a revisão da forma como o Ministério da Saúde lida com o assunto, uma vez que a saúde é um direito constitucional, e a ação social coercitiva para a obtenção do corpo ideal é capaz de ocasionar distúrbios como: anorexia, bulimia e vigorexia. Nesse cenário, a alteração do status quo exige esforços governamentais.
Em conclusão, o culto a padronização corporal no Brasil está situada na sociedade de consumo, segundo Zygmunt Bauman, e necessita ser combatido devido ao seu caráter prejudicial, apesar de reforçado por conceitos ligados a tropicalidade do país. A fim de atenuar o problema, o Ministério da Saúde deve elaborar campanhas de abrangência nacional, veiculadas nas emissoras abertas de televisão, sobre a diversidade corporal e desconstruindo mitos como a existência de um “corpo de praia”, através de uma parceria com a mídia e visando toda a população. Simultaneamente, ONGS, como ação preventiva, devem atuar esclarecendo todas as faixas etárias sobre distúrbios alimentares e encaminhando casos suspeitos a psicólogos solidários ou ao SUS, por meio das mídias sociais,