O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 05/09/2018

Segundo o filósofo Hegel, a beleza é uma construção histórica. Nessa perspectiva, as definições dos padrões de beleza acompanham a humanidade desde os seus primórdios, como na Grécia, por exemplo, em que a valorização do corpo atlético já era intensa. No entanto, o avanço das tecnologias e o crescimento do capitalismo geraram um aumento expressivo da divulgação e da cobrança dos padrões estéticos impostos pela sociedade. Dessa forma, ocasiona sérios transtornos psicológicos para aqueles que não se inserem nesses devidos padrões. Nesse contexto, deve-se analisar como a mídia e o próprio ambiente familiar  causam tal problemática e como combatê-la.

Em primeiro lugar, é imprescindível ressaltar que a mídia é a principal responsável pela transmissão desses padrões estéticos. Isso porque, muitos programas de televisão, revistas e novelas veiculam a imagem de pessoas perfeitas, principalmente as mulheres. Consequentemente, transmitem esses esteriótipos e manipulam a sociedade, que acabam subordinados à seguir os padrões impostos. Dessa forma, essas pessoas recorrem à medidas extremas, como procedimentos cirúrgicos e dietas obsessivas que muitas vezes levam à transtornos alimentares, colocando em risco a própria saúde.

Somado a isso, tem-se o fato de que a família pode contribuir para tais transtornos psicológicos. Pois, segundo o sociólogo Pierre Bordieu, a sociedade incorpora as estruturas que lhe são impostas ao logo do tempo e naturaliza esses padrões. Dessa forma, muitas famílias transmitem esses valores ainda na infância de seus filhos, influenciando-os desde cedo a sempre seguirem os protótipos da sociedade. Nessa perspectiva, muitos jovens e adolescentes sentem-se  pressionados, excluídos e com baixa auto-estima por não se inserirem nessas diretrizes sociais, ocasionando a exclusão social e diversos traumas psicológicos.

Em virtude dos fatos mencionados, torna-se evidente, portanto, a iminência em sanar essa problemática. Em razão disso, ONGs em parceria com a mídia devem implementar políticas públicas que disseminem a aceitação pessoal dos cidadãos, por meio de campanhas que não estabeleçam padrões e sim que valorizem as belezas individuais, além de  contribuir para o bem-estar da sociedade. Ademais, o Ministério da Educação deve implementar projetos  que busquem  debater com os jovens o conceito  de beleza e influencia-los a valorizar a pluralidade estética do país, por intermédio de palestras no âmbito escolar. Concomitantemente, é necessário que a escola também realize reuniões  com os  familiares, a fim de esclarecer a importância de livrarem seus filhos dos protótipos da sociedade e garantir uma infância saudável para as crianças. Dessa forma, cessar a busca exacerbada pelo corpo perfeito  e contribuir para a aceitação da população.