O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 05/09/2018

Sob a perspectiva filosófica do poeta romano Juvenal, o corpo é são quando a mente permanece sã, essa assertiva, embora antiga, fortalece a visão de que não basta está nos padrões corpóreos sociais, com aspectos de cultuar o corpo, mas também, deve adquirir uma responsabilidade psicológica. No entanto, a sociedade brasileira foge dessa orientação de corpo saudável e pensamento vigoroso, o qual, lamentavelmente, gera uma problemática atual. Com efeito, é preciso dar visibilidade à temática para haver um novo quadro benéfico à saúde humana.

Em primeira instância, vale salientar que o culto ao corpo advém desde a Antiguidade Clássica, cujo aspecto de manter uma forma métrica corporal era símbolo de empoderamento, principalmente dos homens, da época. Contudo, a sociedade atual ainda permanece com os mesmos preceitos, devido o uso exacerbado de medicamentos, sem acompanhamento médico, para obter um corpo padronizado de forma rápida ou, até mesmo, a utilização de anabolizantes. Soma-se a isso, a questão de possuir uma massa corpórea veloz, ou seja, segundo Zygmunt Bauman, a fluidez das coisas atuais, levam o indivíduo a procurar métodos que acelerem os processos saudáveis do ser humano, o qual ocasiona problemas físicos e atribui pensamentos promíscuos à fragilidade mental.

Outrossim, a falta de informatividade coerente para a população fortalece o aumento de pessoas que, essencialmente os jovens, são induzidos ao uso errôneo de tais suplementações físicas. Sendo assim, uma escultora baiana, chamada Eliana Kértesz, rompe com os conceitos de padrões de beleza ao reafirmar identidades de pessoas com um peso mais acentuado em monumentos, mas que possuem a felicidade psicológica e, com isso, há uma quebra de estereótipos e ajuda a  diminuir o número de novas pessoas alienadas pela busca do corpo perfeito. Nesse contexto, confirma-se que para alcançar o belo é preciso ter uma associação equilibrada entre os aspectos físicos e psicológicos, pois a sociedade brasileira vive em constante conflito corpóreo e com conceitos estabelecidos de uniformização.

Portanto, entende-se a necessidade de combater o uso indevido de tais produtos químicos e debater ainda mais a questão da padronização do corpo na sociedade. Logo, é dever da mídia, divulgar os efeitos dos medicamentos sem acompanhamento específico, antes mesmo e viabilizar apenas o lucro, por meio de propagandas injuntivas que tenham o intuito de diminuir o caos de pessoas adoentadas pela busca, indiscriminada, dos padrões corpóreos, uma vez que as ações midiáticas difundem para uma grande demanda nacional e alcançam várias faixas etárias. Assim, a fluidez da sociedade contemporânea será transformada em sensibilidade para conseguir, a cada dia, uma mente mais sã.