O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 08/09/2018

A busca pelos padrões de beleza ideais advém desde a Grécia Antiga, em que a valorização do corpo musculoso e definido era intensa. Analogamente, na contemporaneidade há uma preucupação excessiva em possuir o padrão corporal perfeito, devido aos excessos de divulgação de modelos estéticos através das redes midiáticas. Assim, torna-se evidente que a midía é a principal incentivadora da problemática em conjunto com a falta de suporte educacional, gerando consequências graves.

A massificação das mídias no Brasil ocorreram a partir dos anos 1980, nesse contexto, surgiram duas importantes revistas denominadas “Boa Forma” e “Corpo a Corpo”, que desde então por meio de imagens de mulheres com corpos esculturais e conteúdos como " Dietas infalíveis para emagrecer" influenciaram a população a viver uma constante busca pelo corpo ideal e assim ser aceita pela sociedade. Por consequência disso, uma grande quantidade de pessoas decidiram recorrer a cirúrgias para transformar seus corpos, um exemplo são as cirúrgias plásticas. De acordo com a Sociedade Brasileira de Cirúrgias Plásticas, apenas no ano de 2009 foram realizadas 130 mil procedimentos em jovens e crianças. Dessa forma, é possivel perceber que o culto a padronização corporal tem levado os indivíduos a tomarem atitudes extremas.

Outrossim, a falta de suporte educacional contribui para elevação da busca desses padrões estéticos e fomenta, particularmente, entre os adolescentes um sentimento de intolerância com aqueles que não se encaixam nesse arquétipo. As escolas brasileiras não possuem um projeto direcionado aos estudos sobre a diversidade cultural e apoio ao desenvolvimento da auto-estima e auto-confiança dos seus alunos, assim sem essa incentivação é praticamente  impossível a desmitificação do pensamento de “corpo perfeito”. Essa defasagem escolar, também contribui para o aumento do número de casos de bullying relacionados as exigências da padronização corporal. Dessa maneira, pode-se subentender a frase do filósofo Immanuel Kant : " O homem é aquilo que a educação faz dele".

Nesse sentido,  é importante implementar medidas que combatem esse problema. Portanto, cabe ao Ministério da Educação em conjunto com professores especializados desenvolver projetos que incentivem a integração dos alunos nas escolas e a aceitação pessoal mediante a palestras, jogos e dinâmicas. Paralelamente, a mídia, deve desenvolver propagandas educativas e telenovelas que abordem o tema de modo fácil ajudando na divulgação de informações e na superação dos ideais de beleza promovendo a harmonia pessoal e social do povo brasileiro.