O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 06/09/2018

O culto à um ideário retrógrado

Quando Manuel Bandeira compôs o poema “Os sapos”, foi capaz de criticar a postura parnasiana básica de construção poética de culto à forma, por preterir o conteúdo artístico em prol da estética. Tal comportamento perpetua-se no imaginário da população, que torna-se conivente com práticas radicais de alimentação, no caso das dietas “malucas” e, principalmente, das intervenções cirúrgicas, configurando o Brasil como um dos países onde mais se realizam procedimentos estéticos e consequentemente, um estado hostil à saúde psicofísica dos brasileiros.

Conforme o ideário parnasiano, diante da perfeição formal e o culto à beleza dos clássicos, os poetas negavam qualquer compromisso com problemas sociais. Assim,  a preocupação integral era com o uso de recursos artísticos para composição de um poema inserido nos aspectos identitários da época. De modo análogo, a realidade preocupante da sociedade moderna estende-se através da busca incessante pelo corpo perfeito, ultrapassando quaisquer limites existentes entre saúde e realização pessoal. Além disso, as práticas obtidas para o desenvolvimento do imaginário de beleza significam a decadência de uma identidade social no Brasil e ademais, representam a esteriotipização de um povo que é miscigenado e diversificado por natureza.

Nesse contexto, a pretensão que leva tantas pessoas para as academias, centros estéticos e salas de cirurgia hodiernamente, demonstra que a pressão estética diante da população em geral, inseridos ou  não nesse ideário de beleza, traz consequências desastrosas para a saúde fisíca e mental dos brasileiros. O desenvolvimento de transtornos  alimentares como anorexia e bulimia exemplificam tais consequências, assim como o desenvolvimento de compulsão alimentar que, dessa forma, determina dois extremos que apesar de  aparentarem distúrbios distantes,  tornam-se intimamente ligados quando relacionados  à pressão estética e o culto à definição de beleza do século XXI.

Por conseguinte, é evidente que, tais práticas para a obtenção de um corpo esteticamente “bonito” e não saudável, são desumanas para o indíviduo, não apenas psicologicamente como também fisicamente. Logo, cabe ao primeiro setor os ensinamentos básicos diante das pressões sociais, principalmente com a ratificação de um pensamento de igualdade e sem preconceitos. Não obstante, é essencial que o governo federal em parceria com as escolas de Educação Básica realizem palestras sobre aceitação corporal e sobre quais as reais definições de beleza para cada indivíduo. Portanto, poder-se-a afirmar que a pátria educadora oferece mecanismo exitosos para uma vivência plena e sem estigmas em sociedade.