O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 06/09/2018

Desde a pré-história até o Brasil contemporâneo, os padrões de beleza sofreram várias evoluções e consequentemente riscos para a sociedade brasileira. O que antes da Idade Média era considerado o ideal estético perfeito para as mulheres em que serem gordas era sinal de fertilidade e disponibilidade de recursos, a partir dos anos 1990, a beleza deixava de se tornar um padrão social, causando assim, o aumento significativo de distúrbios alimentares, como bulimia e anorexia. Nesse contexto, deve-se analisar os maléficos que a consolidação dessas concepções podem trazer e formas para minimizar os ricos á saúde.

É licito referenciar o filósofo Zygmunt Bauman, que estudando a sociedade atual, concluiu que a humanidade vive em uma “modernidade liquida”. Isso significa que as pessoas de hoje têm mais liberdade para fazer suas próprias escolhas, que são transitórias, pois o individuo nunca consegue se satisfazer. Aproveitando-se disso, a indústria da beleza impõe, a todo momento, pelas redes sociais, televisão, filmes, revistas, o “corpo ideal” que se deve ter, por meios revolucionários. Por consequência disso, o Brasil se figura como um dos maiores alvos da padronização corporal no mundo, pois, segundo pesquisas da ONU, a nação brasileira é a maior consumidora de drogas estéticas – anabolizantes, remédios de emagrecimento, e na quase totalidade das vezes, o consumo ocorre sem recomendação médica, aumentando o número de  casos de bulimia e anorexia principalmente entre jovens e paralelo a isso vêm os casos de depressão, ansiedade e suicídio.

Sendo assim, o Brasil ocupa a segunda colocação no “ranking” mundial de cirurgias plásticas, o que revela a obsessão brasileira pela beleza. Mesmo que os procedimentos estéticos possam melhorar a autoestima de homens e mulheres, vale ressaltar que grande parte desses procedimentos pode causar danos irreparáveis ao corpo e, sobretudo, à mente. Então, é preciso lembrar que deve servir-se do corpo e não servir ao corpo, como é comum em uma sociedade alienada pela indústria da beleza. As pessoas devem ser valorizadas e reconhecidos por ter identidade própria, uma vez que, as pessoas aceitam a opinião oriunda do “senso comum” e não vivem o que elas realmente são.

Evidencia-se, portanto, que o Ministério da Saúde deve fazer uso de uma propaganda reversa, pelos mesmos meios utilizados pela indústria da beleza – redes sociais, televisão, etc – para promover campanhas de conscientização, que desconstruam esse padrão corporal no Brasil, divulgando hábitos realmente saudáveis de se viver, e alimentando a ideia de que o corpo ideal é o saudável. Além disso, tais campanhas devem veicular portais de denúncia da Anvisa, para que a sociedade possa contribuir com a fiscalização contra o comércio das substâncias ilegais que tanto prejudicam a saúde .