O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 07/09/2018
Em meados do século XVIII, predominou, efetivamente, a escola literária barroca, acerca disso, o pintor italiano Caravaggio destaca em sua tela Narciso o culto à beleza, em que representa um jovem encantado com sua beleza, jamais apreciada anteriormente. Nesse viés, é possível associar tal apreciação aos desejos estéticos presentes hodiernamente, no qual valoriza-se os padrões impostos pela sociedade, como o manequim 34 ou até mesmo cabelos lisos e pele esteticamente perfeita. Desse modo, conclui-se que a existência de padrões sócio-culturais e as influências externas corroboram para a efetivação do imbróglio decorrente.
Em primeira análise, é válido considerar o período Renascentista, que enaltece os valores humanistas e o apreço pelos paradigmas de beleza da Antiguidade. Análogo a isso, na corrente coletividade, é comum a necessidade populacional de se encaixar em certos padrões - como o de modelos famosas. Nessa perspectiva, cresce, gradativamente, o número de cirurgias plásticas, não por saúde, mas sim por beleza, considerando o Brasil o segundo no ranking de procedimentos, segundo a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica e Estética. Consoante a esse fator, revigora a Teoria do Estigma Social, de Erving Goffmam, na qual as pessoas sentem-se pressionadas para se encaixar em padrões.
Seguindo essa linha de raciocínio, o desejo de se encaixar nesses moldes influencia esses indivíduos a se submeterem a procedimentos e arriscar sua saúde. Concomitantemente, é possível associar tais ações à interferência midiática, pois sensibiliza seus telespectadores a esse desejo. Em detrimento dessa questão, a criação da Mattel, os bonecos Barbie e Ken, com corpos esteticamente perfeitos corrobora para a ocorrência de paradigmas, na medida que os cidadãos cultuam corpos absolutamente esmerados. Nesse panorama, a frase de Carl Jung, em que nascemos originais e morremos cópia, encaixa-se ao assunto, de forma que sempre se está copiando modelos já existentes, como os padrões impostos na sociedade.
Diante desse panorama, é visto que há cultos aos arquétipos de beleza, uma vez que sempre se está copiando corpos até então aprovados pela sociedade. Desse modo, urge à Sociedade o dever de atuar como fiscalizadora, em parceria com Escolas, no intuito de produzir materiais suficientes para desmitificar a ideia de seguir certos padrões, a fim de desconstruir tais ideias. Outrossim, é dever da Mídia utilizar seu poder persuasivo na promoção de atividades e campanhas,por intermédio dos seus meios de comunicação de massa, na intenção de propagar boas influências e enaltecer todos os tipos de simetria, valorizando, assim, um novo culto, que dessa vez se preconiza às diversas formas de beleza da hodierna sociedade brasileira, mitigando, dessa forma, a teoria de Erving Goffmam.