O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 06/09/2018
A cada dia produtos de cosméticos e dietas milagrosas são lançadas na mídia prometendo aos compradores o corpo perfeito. A pressão é enorme e as mulheres em busca de aceitação arriscam a saúde a procura da estética imposta pela indústria da beleza. Logo, é válido analisar como a padronização da beleza tem interferido no bem estar social contemporâneo.
Atualmente, ser magra, branca e de corpo definido é praticamente obrigação da mulher que queira ser aceita e amada. Pessoas que atendem a essas exigências são populares e desejadas e isso atiça o ego aumentando a autoestima, o que explica a adesão de muitas pessoas a dietas malucas que nitidamente comprometem a saúde, aliados a cirurgias plásticas por vezes em locais insalubres e com profissionais duvidosos. Na mídia já se vê cada dia mais mortes provenientes de tais procedimentos irresponsáveis. O Brasil proporcionalmente já é o país que mais realiza cirurgias plásticas no mundo, segundo a organização mundial da saúde, e isso só reforça como é intensa a padronização do corpo e como isso afeta diretamente a saúde não só física mas psicológica da pessoa.
Pensando nisso, tal padronização traz consigo uma cascata de problemas. O aumento de pessoas com ansiedade, depressão e transtornos alimentares e nítido, pois nem todos conseguem atingir os desumanos padrões estabelecidos, seja por questões financeiras ou impossibilidade física. Assim gera-se a rejeição de si mesma, o que se torna uma imã para depressão e consequentemente em muitos casos há o suicídio, o que é preocupante já que é recorrente entre adolescentes que estão formando sua visão de mundo já sofrendo pela imposição da beleza inalcançável. Kant dizia que o homem é o que a educação faz dele, portanto é preciso a canalização de ações que, por meio da educação, trabalhe-se a mente dos jovens a fim de consolidar ideias de autoaceitação.
Nesse sentido, é preciso que as prefeituras municipais, através das secretarias de educação. incluam no currículo escolar debates sobre a padronização do corpo, incentivando nos alunos desde cedo a aceitação de si mesmas sem a comparação com o outro, e que por intermédio de conversas recorrentes levem para a vida tal pensamento. Aliado a isso, o governo federal deve promover a fiscalização de propagandas enganosas na mídia proibindo suas veiculações, assim se mitigará as falsas promessas de corpo perfeito. E junto dessas ações pode incluir com mais frequência em filmes e novelas personagens de todos os tipos físicos com a mesma visibilidade exaltando suas belezas, o que diminuirá casos de depressão e afins, promovendo o amor próprio. Dessa maneira formar-se-á um país onde Kant pudesse se orgulhar.