O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 06/09/2018

Conhecido pela célebre frase: “Me desculpem as feias, mas a beleza é fundamental”, o poeta Vinicius de Moraes reflete o pensamento de culto exacerbado a beleza que influência a sociedade há séculos.Diante desse quadro, na pós-modernidade, os padrões corporais acentuaram-se com o desenvolvimento da tecnologia, gerando adversidades na sociedade, como os transtornos alimentares.Sob esse viés, debater a consolidação dessa concepção maléfica é necessário para atenuar a problemática.

Em primeiro plano, é possível observar que as práticas cotidianas da cultura do consumo em consonância ao investimento tecnológico objetifica de modo problemático a estrutura corporal.Nesse contexto, a sociedade cultua a busca de um corpo “saudável, perfeito e jovem”, no entanto, não desiste de comercializá-lo e de descartar todas as singularidades que não correspondem aos padrões. Nesse cenário, os implantes de silicones, toxina botulínica e a obsessão de magreza destacam-se e ganham força com a internet e a TV, que ditam pela supremacia da aparência e promovem uma corrida incessante em busca da beleza ideal. De acordo com uma pesquisa comissionada pela Dove, somente 17% das mulheres não se sentem pressionadas a atingir a definição de beleza.

Concomitantemente a essa questão comportamental, quando a renomada escritora Clarice Lispector relata a vida da nordestina Macabéa na obra “A Hora da Estrela”, narrando o desejo da personagem em se tornar estrela de cinema como Marilyn Monroe corrobora-se a ideia de padronização. De modo semelhante, é notório que, na sociedade vigente Marilyn Monroe corresponde às denominadas “musas fitness”, que tornaram-se exemplos do esteticamente belo.Sob essa conjuntura, a necessidade de alcançar a beleza através de modificações pode acarretar em patologias, como os transtornos obsessivos. Desse modo, é preciso debater o tema para que meninas não tenham o mesmo mal-estar que Macabéa apresentava.

Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para a alteração desse cenário.Logo, o Ministério da Cultura deve promover, por meio de exposições temporárias, a abordagem elucidativa do assunto, com a finalidade de incentivar a percepção do corpo social acerca da padronização e, assim, conseguir que o os ideais impostos sejam reprimidos e o conjunto midiático tenha seu poder minimizado.Outrossim, é necessário que o Ministério da Educação, por meio de palestras, com sociólogos e psicólogos, exponham os fatores que levam a busca ininterrupta da perfeição e as consequências, tais como a anorexia e bulimia, com depoimentos de indivíduos que já viveram tal situação, a fim de demonstrar a gravidade do problema.