O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 06/09/2018
Desde o Iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. No entanto, quando se observa o culto à padronização corporal no Brasil, verifica-se que esse ideal iluminista não é constatado desejavelmente na prática e a problemática persiste ligada à realidade do país. Nesse sentido, convém analisarmos as principais consequências de tal postura negligente para a sociedade.
É indubitável que a questão social esteja entre as causas do problema. Atualmente, a padronização começa desde cedo, com a adultização infantil. As crianças, principalmente meninas, muitas vezes são moldadas para que se pareçam com os pais e isso pode ser percebido em redes sociais. De forma absurda, os próprios genitores criam perfis para expor fotos de suas filhas, que se vestem iguais à mãe (de salto alto, maquiagem pesada e unhas pintadas), sendo atitudes impróprias para tão pouca idade. Desse modo, no futuro, se não conseguir alcançar um padrão imposto, a criança pode desenvolver um processo de não-aceitação e de baixa autoestima, por achar que não está inserida na sociedade apenas por não ser fisicamente parecida com o modelo do momento.
Outrossim, destaca-se a ação da indústria estética junto com a mídia como impulsionador do problema. Hodiernamente, pode se observar que há uma padronização nesse ramo, onde gera-se um mesmo produto para um mesmo tipo de consumidor. Logo, quando o individuo percebe que não está fisicamente parecido com a celebridade do momento, acaba atendo-se a procedimentos estéticos para alcançar o modelo imposto. Com isso, pode haver o comprometimento da saúde, pelo fato de a pessoa passar por dietas perigosas, horas excessivas em academias ou por mesas de cirurgia buscando sempre o “corpo perfeito”. E então, muitas vezes se perde o que realmente importa: estar saudável. É evidente, portanto, que ainda há entraves que visem à construção de um mundo melhor. Destarte, o Ministério da Saúde, juntamente com a mídia, devem intervir com campanhas publicitarias, mostrando a importância de ter um corpo saudável sem estar necessariamente dentro dos padrões. Como já dito pelo pedagogo Paulo Freire, a educação transforma as pessoas, e essas mudam o mundo. Logo, o Ministério da Educação deve instituir, nas escolas, palestras ministradas por psicólogos, que discutam o combate à baixa autoestima, incentivando a autoaceitação, principalmente com crianças e jovens, a fim de que o tecido social se desprenda de certos tabus para que não viva a realidade das sombras, assim como na alegoria da caverna de Platão.