O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 06/09/2018
Na Grécia, durante o século V a.C., existia uma beleza padrão em que o corpo era aquele que mostrava harmonia e proporção entre as partes. Em Roma Antiga, as mulheres deveriam ter a pele branca coberta com pó de giz e fezes de crocodilo moídas passadas no rosto. Durante o Renascimento, as belas mulheres tinham que ter a pele clara, rosto oval, cabelo loiro avermelhado e longo. É inegável que o culto à padronização do corpo acompanha a evolução das sociedades. Entretanto, no Brasil, esse padrão vem gerando diversos problemas entre as pessoas que, pressionadas pelo meio social, sentem-se na obrigação de o seguir incansavelmente.
Beleza ou belo significa aquilo que agrada, que suscita admiração, que atrai o olhar. As sociedades se apropriaram desse básico conceito e o alteraram adicionando parâmetros “perfeitos” a serem adotados por que deseja seguir o padrão. Um típico exemplo brasileiro do século XXI é o corpo que as mulheres devem possuir: seios turbinados, barriga sarada, bumbum redondo e duro, pernas torneadas. Para isso, elas se submetem a cirurgias, a dietas radicais, a exercícios pesados. Esse fato acaba evidenciando que o corpo humano não é tratado como algo necessário para sobreviver, e sim para ser feliz e se sentir integrante do meio em que vive.
Além disso, as consequências adquiridas pelo culto à padronização cultural são enormes e preocupantes. Um caso que retrata muito bem a situação foi o do Ken humano, o brasileiro Rodrigues Alves, que ao se submeter a um processo cirúrgico para ficar parecido com o boneco Ken, contraiu uma bactéria - a fasciíte necrosante - que o fez perder parte do nariz de maneira trágica. Esse rapaz já gastou mais de 1,6 milhão em reais com procedimentos estéticos e colocou sua vida em risco. Diante disso, será mesmo, pois, necessária uma mudança tão radical e perigosa para, somente, satisfazer um modelo de corpo momentâneo que pode causar danos até irreparáveis?
Portanto, percebe-se a necessidade de criar medidas para diminuir e futuramente evitar essa viralização do culto prejudicial ao corpo. É fundamental que o Ministério da Saúde, com o auxílio da mídia, promova campanhas que incentivem a aceitação da beleza natural, do agir biológico sem afetar exageradamente no corpo. Com isso, a coersão social passará a ser cada vez mais irrelevante e as pessoas cada vez mais conscientes e donas de si. Outrossim, os médicos cirurgiões devem seguir o conselho de ética médica e orientarem os pacientes a não se submeterem a processos perigosos apenas para ficarem parecidos com o modelo físico do momento, mostrando os possíveis danos à saúde. Dessa forma, será possível que o corpo não seja tratado como um padrão e que o culto ao mesmo não exista, quebrando a reprodução social de um modelo corporal ideal.