O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 06/09/2018
“O importante não é viver, mas viver bem.” Segundo Platão, a qualidade de vida tem tamanha importância de modo que ultrapassa a da própria existência. Entretanto, no Brasil, essa não é uma realidade para pessoas que sofrem com a imposição de um padrão de beleza imposto pela mídia, familiares e até mesmo da sociedade em si. A busca de um ideal inalcançável no ciclo da beleza é eterno, sempre terá algo que a pessoa queira melhorar da infância até o fim da vida, devido a indústria de cosméticos e da beleza que são uma das empresas mais lucrativas do mundo que os influencia. Com isso, ao invés de agir para tentar aproximar a realidade descrita por Platão da vivenciada por estes indivíduos, os distúrbios devido a essa busca incansável como a anorexia, mata todos os dias inúmeras pessoas no Brasil.
Como herança de um passado histórico, o padrão de beleza para uma mulher branca é diferente do padrão de uma mulher negra, ressaltando que uma beleza advinda de origens africanas não é considerada um padrão, fazendo com que tais sofram e se sintam excluídas nesse meio social. Até mesmo mulheres idosas sofrem com esses imposições, já que, para ser aceita devem ser jovens e com um físico intacto não degradado pelo tempo de acordo com esse ideal midiático. Desse modo, tais situações descritas geram uma competição desigual entre essas pessoas, levando-as a buscar dietas malucas e até mesmo cirurgias estéticas perigosas.
Ademais, há uma preocupação excessiva entre crianças com a beleza desde cedo. Meninas estão querendo se transformar em mulheres com a intenção de se sobressair no mundo através da aparência. Prova disso, é o aumento da procura por cosméticos infantis ao invés de brinquedos. Dessa forma, o culto a padronização ultrapassa os limites, atrapalhando o desenvolvimento saudável desses jovens, o que dificulta a aproximação da realidade descrita por Platão com a vivenciada por esses indivíduos no Brasil.
Portanto, torna-se evidente a necessidade de uma tomada de medidas que aproxime essa realidade. Por conseguinte, seria importante que a mídia, o quanto puder, abordasse tal impacto através de novelas que abordem o culto a padronização em jovens e adultos, conscientizando sobre seus impactos e consequências. Outrossim, seria importante que a Receita Federal destinasse verbas para campanhas educativas sobre o assunto em escolas, creches e também para o tratamento de pessoas adultas que sofrem com tal distúrbio com o próprio corpo, evitando assim que jovens e crianças sofram com tal impacto e tratando adultos que já o possui. Só assim os indivíduos não apenas viverão, mas viverão bem.