O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 06/09/2018

Desde a Antiguidade Clássica, período marcado pelo desenvolvimento social dos povos Greco-romanos, a padronização do corpo já se encontrava presente no convívio da coletividade. Esse fato torna-se relevante devido aos desafios psicossociais estabelecidos, hodiernamente, pelo culto à padronização do corpo perfeito. Tendo em vista esse fenômeno sociocultural e os empecilhos que ele representa, é salutar o debate acerca do que pode e deve ser feito para atenuar esse problema.

Essa adversidade tem como principal expoente, segundo a ONU, a política enraizada pelos colonizadores portugueses que empregaram no Brasil um sistema de europeização, só que em uma nação majoritariamente negra e de extrema diversidade, esse ‘‘projeto’’ estabeleceu um molde quase impossível, e que ainda hoje mesmo com resistências e consequentes mudanças ainda coexistem em sua população. Somado aos fatores de vulnerabilidade social, essa questão sofre agravos, já que atualmente com as diversas cirurgias estéticas e tratamentos disseminados pela indústria dos cosméticos, isso atua como um fenômeno de exclusão.

Além disso, a falta de políticas públicas e programas sociais que propaguem a aceitação do corpo de acordo com o padrão individual de beleza de cada indivíduo e auxiliem as pessoas que são afetadas pelos distúrbios causados por esse tipo de fator social, dificultam a resolução desse empecilho na prática. Esse fato pode ser observado no filme, ‘‘Garotas Malvadas’’ no qual uma das protagonistas sugere barras super calóricas para que a sua ‘‘inimiga’’ engorde com a desculpa de que essas na verdade emagrecem, com o intuito de atingi-lá socialmente. Já fora da telinhas, esse tipo de pensamento pode ser embasado nos estudos do sociólogo  Zygmunt Baumann, que tratam sobre a Modernidade Líquida e sua influência sobre o consumismo, que acaba definindo socialmente como uma pessoa deve viver de acordo com seus interesses de mercado.

Haja vista essa problemática e os obstáculos que ela apresenta, é necessário que o Ministério da Educação e o da Saúde sejam efetivos em suas posições. Nesse viés, cabe ao Ministério da Educação, em consonância com a família, combater esse tipo de padrão, por meio de palestras e debates, além de diálogos em casa, que visem prevenir distúrbios comportamentais e psicológicos relacionados ao tema. Ademais, cabe ao Ministério da Saúde, prestar auxílio a população, por meio de programas e projetos, que visem tratar e conscientizar as pessoas acerca do problema. Dessa forma, os desafios supracitados serão atenuados nas próximas décadas.