O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 06/09/2018

O culto à forma física remonta à Grécia antiga, onde o lema “mens sana in corpore sano”, que significa “mente saudável em corpo são”, demonstrava a preocupação com o aspecto estético, tido como auxílio para o desenvolvimento intelectual. No Brasil, com o advento das mídias sociais e maior exposição da, geralmente, estereotipada imagem corporal, tornou-se maior a compulsividade em busca de resultados imediatos, o que pode acarretar em transtornos de cunho psicológico, como bulimia e baixa autoestima.

Segundo dados da pesquisa “Há uma Beleza Nada Convencional”, realizada pela Dove, 85% das mulheres no Brasil, entre 18 e 22 anos, se sentem pressionadas a seguir padrões de beleza, acreditando que a aparência influencia direta e indiretamente no êxito social e profissional. Dessa forma, fica nítido que a obsessão corporal se tornou um dos traços característicos das sociedades desenvolvidas, fortalecendo a concepção de corpo-objeto, resultante da valorização exagerada da boa aparência.

Além do mais, o surgimento de perturbações psicológicas, ocasionadas pela obcecação em busca da forma ideal, tem crescido vertiginosamente, o que pode, a curto prazo, se tornar um empecilho ao convívio social uma vez que, passam a ser evitados locais onde há ofertas de alimentos. De acordo com a Secretaria do Estado de Saúde de São Paulo, 77% das jovens do estado apresentam propensão ao desenvolvimento de distúrbios alimentares, como anorexia.

Tendo em vista o que foi exposto, é necessário que o Ministério da Educação, através de materiais didáticos e palestras de orientação, estimule jovens e adultos a levarem uma alimentação equilibrada, demonstrando seus benefícios para a manutenção do organismo humano. Ademais, cabe ao Ministério da Saúde investir no acompanhamento psicopedagógico de portadores de disfunções alimentares, auxiliando-os na busca pelo autocontrole sobre a aparência física e possíveis transtornos que a distorçam, evitando o ressurgimento desse quadro.