O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 06/09/2018

“A natureza fez o homem feliz e bom, mas a sociedade deprava-o e torna-o miserável”. A afirmação do filósofo suíço Jean-Jacques Rousseau inserida no mundo atual, nos remete aos comportamentos individuais no que se refere a busca desenfreada por um ideal estético. Nesse contexto, esse comportamento torna-se um problema quando o culto à aparência traz riscos à saúde do cidadão, além de estereotipização de um corpo ideal. Destarte, convém analisar as principais consequências de tal postura negligente para a sociedade.

É imprescindível destacar o papel da mídia, primeiramente, para idealização de um padrão estético. A população, influenciada pela indústria cultural, busca a elevação do status social por meio de produtos divulgados nos meios de comunicação através de propagandas massificantes que objetivam o lucro. Dessa maneira, o estereótipo de padrão de beleza formado pela mídia revela suposto padrão de vida elevado dos indivíduos que o seguem, e, por conseguinte, aqueles que não aderem à causa acabam sendo vítima de preconceitos, como por exemplo, a gordofobia.

Além disso, o almejo exagerado pela perfeição pode trazer consequências negativas ao corpo do indivíduo. Outrossim, destaca-se as ameaças à saúde como outro fator contribuinte para o agravamento da problemática. O mercado de cirurgias plásticas no Brasil realizou no ano de 2015, segundo a Sociedade Internacional de Cirurgias Plásticas, mais de 1 milhão de procedimentos, mostrando a preocupação do povo brasileiro com a estética, motivados por uma idealização de beleza. Dentre os riscos causadas pela operação, destacam-se a formação de coágulos sanguíneos, infecções na área tratada e até mesmo, em alguns casos, a morte. Apesar do conhecimento dos riscos, esses indivíduos não se satisfazem com o resultado obtido e se submetem novamente à procedimentos perigosos, criando uma busca incansável pelo padrão estético idealizado.

Torna-se evidente, logo, que medidas devem ser tomadas para que o culto à aparência não se torne um problema de ordem social ou fisiológico. Assim, a mídia deve investir em programas que utilizem as diversas formas de aparência presentes na sociedade, a fim de quebrar os estereótipos formados com diálogos que desconstroem os padrões impostos. Ademais, é importante que o Ministério da Saúde divulgue os perigos dos procedimentos estéticos para a população por meio de recursos midiáticos de longo alcance, com objetivo de conscientizar os riscos e fomentar a valorização das aparências variadas. Em vista disso, a população não irá se sentir menosprezada por possuir seu corpo da forma que é, evitando também o excesso de procedimentos cirúrgicos, tornando o homem feliz e bom, sem que a sociedade o despreze, como afirma Rousseau.