O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 07/09/2018

A existência de um modelo de corpo idealizado é uma constante na história da humanidade ainda que se altere ao longo dos anos. De fato, há sempre um padrão a ser seguido, no período renascentista predominava  o ideal de corpo mais preenchido que exaltasse o modo de vida opulento e abundante em recursos da nobreza, já na sociedade contemporânea valoriza-se o corpo excessivamente esbelto. Hodiernamente, o culto à padronização corporal no Brasil é persistente seja por fatores culturais ou por interesses mercadológicos.

Em primeira análise, a imposição de padrões estéticos se dá no campo cultural. Consoante o filósofo iluminista Rousseau “o homem nasce livre, mas em toda a parte encontra-se acorrentado”, assim o livre arbítrio do indivíduo se torna contestável, tendo em vista que a pressão exercida por instrumentos midiáticos condicionam o comportamento pessoal para a busca de determinado padrão, à medida que a formação educacional pouco contribui para a desconstrução desses modelos instituídos, dessarte aqueles que não se enquadram no que foi estabelecido estão sujeitos a consequências repudiáveis como o bullying ou até mesmo transtornos alimentares, devido a autorrepulsa, por exemplo a anorexia, bulimia e vigorexia.

Ademais, os interesses lucrativos envolvidos nesta questão são imprescindíveis para que se mantenha o padrão predeterminado.Sob o mesmo ponto de vista, o pensador marxista Louis Althusser afirma que a mídia, como aparelho ideológico de Estado, está a serviço das classes dominantes, por consequência o padrão de beleza divulgado engloba os interesses da indústria de aparelhos esportivos, produtos e remédios que contribuam para o emagrecimento.Outrossim, há de se considerar o impacto da popularização das cirurgias plásticas atuando para além do objetivo estético reparador, ou seja, na busca obsessiva para se atingir o que o poder ideológico dita como ideal.

Evidencia-se, portanto, o peso dos fatores culturais e da lógica capitalista na manutenção de padrões corporais a serem perseguidos pelas pessoas. Logo, é preciso que as Escolas, como ambientes fundamentais na construção cidadã crítica, promova palestras e rodas de discussão que possam incorporar no debate a problemática da imposição de modelos estéticos, a fim de fomentar a pluralidade e o respeito à diversidade corpórea humana, tais momentos de discussão devem ser incluídos no planejamento anual de eventos a serem realizados pelas entidades educativas.Como resultado de uma educação mais plural será possível vislumbrar a mudança de mentalidade social com ganhos para a convivência harmoniosa em sociedade e para a autoestima dos seres humanos.