O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 07/09/2018
A busca pela perfeição estética teve início na Grécia Antiga, onde a preocupação com a forma material era de extrema importância para os gregos, que buscavam ter uma capacidade intelectual e física. De forma análoga à época, o Brasil enfrenta grandes problemas no que tange o culto à padronização corporal. Dessa forma, sabe-se que a globalização e a influência midiática influenciam na problemática em questão.
É importante pontuar, de início, a promoção do consumo desenfreado. À guisa do pensamento de Adorno e Horkheimer, o sistema capitalista, através da Indústria Cultural, impôs um padrão de beleza na sociedade que fez as pessoas deixarem de pensar racionalmente e passarem a comprar todos os produtos de beleza possíveis, fazendo assim, com que a indústria de cosméticos lucrasse cada vez mais. Não é à toa, então, que segundo a revista Exame, a indústria cosmética no Brasil, apresentou um crescimento anual de 113% nos últimos cinco anos. Com isso, uma pseudo-felicidade é adquirida através de produtos, fortalecendo, ainda mais, a padronização estética.
Outrossim, tem-se a busca pelo corpo perfeito consolidada nos valores culturais brasileiros. Isso acontece, porque o desenvolvimento das tecnologias de informação gerou um aumento expressivo da divulgação e da cobrança acerca dos modelos estéticos. Com o culto do corpo ideal presente cotidianamente- através de propagandas em massa nas mídias, de forma direta, e por meio de filmes e programas televisivos indiretamente - o número de doenças ligadas à aceitação do físico, como a bulimia, vigorexia e até depressão, cresceu drasticamente. Como exemplo, tem-se o caso da atriz global Bruna Marquezine, que revelou sofrer depressão e distúrbio de imagem por causa de comentários feitos ao seu corpo. Nesse sentido, as exigências aos estereótipos de beleza estão associadas a uma identidade nacional de forte culto à idealização corporal.
Torna-se necessária, portanto, a adoção de medidas que visem mitigar esse celeuma. Para tanto, cabe ao Ministério da Saúde, através das Secretarias locais, realizar palestras públicas sobre a desconstrução dos padrões criados pela sociedade consumista e promover a diversidade de beleza, a fim de orientar a população acerca da relevância da aceitação pessoal. Ademais, a mídia, como formadora de novos comportamentos e opiniões, deve desenvolver propagandas e telenovelas abordando a heterogeneidade estética, com o objetivo de valorizar a pluralidade física e cultural e evitar uma singularidade incoerente com a identidade histórica-nacional.